Em um ano em que o preço do querosene de aviação dobrou em relação ao planejado, a Delta Airlines recorre a um trunfo geopolítico: é a única companhia aérea do mundo que possui sua própria refinaria de petróleo, localizada na Pensilvânia, nos Estados Unidos. Em entrevista exclusiva à CNN Brasil durante a reunião anual da IATA no Rio de Janeiro, o presidente da Delta, Peter Carter, detalhou como esse hedge físico ajuda a empresa a minimizar os impactos do petróleo caro.
Segundo Carter, o custo do combustível está cerca de duas vezes maior do que o previsto no início do ano. A empresa espera recuperar aproximadamente metade desse valor por meio de eficiência operacional e reajuste de tarifas, que subiram entre 10% e 15%. “Felizmente, estamos em uma posição única porque temos um balanço financeiro sólido”, afirmou. A refinaria própria permite que o custo de combustível da Delta seja inferior ao dos concorrentes.
Parceria com a Latam impulsiona crescimento
A joint venture com a Latam, iniciada em 2022, gerou um salto de 88% na capacidade de assentos entre a América do Sul e os Estados Unidos nos últimos três anos. A Delta detém atualmente 10% das ações do grupo sul-americano. A integração dos serviços de carga também trouxe resultados expressivos: aumento de 65% no volume transportado em um ano, após crescimento de 210% nos 12 meses anteriores, impulsionado pelo comércio eletrônico transfronteiriço.
Um novo acordo transfere a manutenção de parte da frota de aviões A320 da Delta para o centro de manutenção da Latam em São Carlos, interior de São Paulo. A instalação tem cerca de 1 milhão de metros quadrados. “É uma infraestrutura incrível”, disse Carter, destacando que é a primeira grande parceria da divisão TechOps da Delta.
Estratégia de frota e sustentabilidade
A Delta planeja renovar sua frota internacional com aeronaves de nova geração, como os modelos Airbus A330 e A350, que são mais de 20% mais eficientes no consumo de combustível. Para a América do Sul, a empresa avalia novos destinos, sem revelar quais. Carter afirmou que o Brasil é um dos países de crescimento mais rápido na região.
Sobre sustentabilidade, Carter destacou a importância do combustível sustentável de aviação (SAF) e de medidas operacionais, como otimização de rotas e desligamento rápido da unidade de potência auxiliar. Ele também mencionou o potencial dos veículos elétricos de decolagem e pouso vertical (eVTOL) para rotas curtas em grandes cidades e vislumbrou, no longo prazo, um avião elétrico de corredor estreito para até 50 passageiros. “Talvez a Embraer esteja trabalhando num projeto deste tipo neste exato momento”, especulou.
Carter elogiou os acordos comerciais do governo Trump por excluírem o setor aeroespacial de disputas, beneficiando empresas como Embraer e Airbus. A Delta mantém processos competitivos entre Airbus e Boeing para aquisição de aeronaves.
Com informações de CNN Brasil.