A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro reconheceu nesta quarta-feira (17) que ele pediu a um militar do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) que levasse para conserto uma pistola Glock 9mm registrada em seu nome. O documento foi enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) em resposta a um pedido de esclarecimento do ministro Alexandre de Moraes, que deu 24 horas para explicações sobre o armamento apreendido.
Segundo os advogados, a própria equipe de segurança de Bolsonaro havia deixado a arma inoperante para evitar riscos, considerando as condições de saúde mental do político. O ex-presidente teria manipulado a arma, testado o disparo e constatado que "o mecanismo não estava funcionando regularmente", o que motivou o pedido de reparo.

Apreensão em blitz
A arma foi apreendida na madrugada de segunda-feira (15) pela Polícia Militar do Distrito Federal durante uma abordagem na DF-001, km 79, em frente ao Tag Park, em Taguatinga. O veículo era conduzido pelo militar Estácio Leite da Silva Filho, vinculado ao GSI e cedido à Casa Civil para atuar na segurança de Bolsonaro.
Durante a revista, os policiais encontraram, além da arma institucional regularmente portada pelo condutor, uma segunda arma de fogo. O militar informou não possuir a documentação da segunda arma e declarou que o armamento pertencia a terceiro. Uma consulta ao sistema do Exército confirmou o registro em nome de Bolsonaro. Apesar da documentação regular, a pistola foi recolhida pela Polícia Civil porque o Certificado de Registro de Arma de Fogo (Craf) não estava no veículo.
Posicionamento do GSI
O Gabinete de Segurança Institucional informou que não realiza a segurança de ex-presidentes, incluindo Bolsonaro. De acordo com a nota, os servidores à disposição dos ex-presidentes são de livre indicação deles e não estão subordinados nem vinculados operacionalmente ao GSI, conforme a Lei nº 7.474/1986 e o Decreto nº 6.381/2008. O GSI oferece apenas capacitação e avaliação dos servidores que integram a segurança dos ex-presidentes, conforme portaria de 2024.
Contexto da prisão domiciliar
Bolsonaro cumpre atualmente uma pena de 27 anos e 3 meses de prisão. Desde o dia 24 de março deste ano, ele está em prisão domiciliar humanitária, autorizada por Moraes por um prazo inicial de 90 dias, para recuperação de uma broncopneumonia. Em 22 de novembro de 2025, durante outro período de prisão domiciliar, Bolsonaro tentou violar a tornozeleira eletrônica usando um ferro de solda, alegando alucinação e "certa paranoia" possivelmente provocadas pelo uso de remédios.
A defesa afirmou ainda que Bolsonaro não tem interesse na restituição da arma enquanto estiver em prisão domiciliar. A pistola segue apreendida e o caso é investigado pela Polícia Civil do Distrito Federal. O militar que conduzia o veículo prestou depoimento e foi liberado.