Em menos de uma semana, o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, adotou uma série de medidas com impacto na política e na economia brasileiras, reavivando o debate sobre uma possível interferência americana nas eleições presidenciais deste ano no Brasil.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal adversário do presidente Lula (PT) na disputa, comemorou a inclusão do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) na lista de organizações terroristas dos EUA, ao lado de grupos como Al-Qaeda e Hamas. A decisão ocorreu após o filho mais velho de Jair Bolsonaro ser recebido na Casa Branca por Trump. Flávio tentou usar o fato como prova de que o presidente americano o favorece. “Em dois dias como pré-candidato à Presidência da República, já fizemos mais pela segurança pública do povo brasileiro do que Lula e o PT em vinte anos”, declarou.
Flávio Bolsonaro, integrante de uma família que admira Trump, também recebeu um tuíte elogioso do presidente americano, que o chamou de “rapaz esperto que ama o seu país”. No entanto, a publicação coincidiu com o anúncio, pelos EUA, de novas sobretaxas às exportações brasileiras, que podem chegar a 37,5%.
O novo tarifaço deu a Lula a oportunidade de responsabilizar os integrantes do clã Bolsonaro pela medida, chamando-os de “traidores” e “vendilhões da pátria”, e de retomar o discurso em defesa da soberania nacional, estratégia que já o ajudou a recuperar popularidade. Ainda que involuntariamente, Trump beneficiou o candidato à reeleição na disputa pelo eleitorado brasileiro.
Em uma corrida eleitoral acirrada, Lula e Flávio Bolsonaro tentam convencer o eleitorado de que têm acesso à Casa Branca e capacidade de negociar com Trump, como se o presidente americano considerasse a eleição brasileira uma prioridade. Segundo analistas, não é o caso.
Trump, descrito como imprevisível e voluntarioso, é referência para a direita mundial. Ele nomeou para o cargo de embaixador no Brasil o deputado estadual da Flórida Daniel Perez, conhecido por sua ojeriza a governos de esquerda e simpatia pelo movimento Maga, de extrema-direita. Apesar disso, não é certo afirmar que as ações de Trump no Brasil tenham o objetivo de ajudar Flávio Bolsonaro. A prioridade dos EUA é defender seus próprios interesses.
O ex-embaixador do Brasil em Washington, Rubens Barbosa, explicou que o novo tarifaço foi anunciado para substituir o anterior, de meados do ano passado, que era juridicamente mais frágil e foi derrubado pela Justiça. “O lado de Trump é o dos interesses comerciais e dos eleitores americanos”, afirmou.
Com informações de Veja.