Decibéis negativos existem, mas não significam um 'som negativo'. O valor reflete uma questão de unidade de medida: o decibel (dB) compara intensidades em relação a uma referência. No som no ar, a referência padrão é o limiar da audição humana, que corresponde a 10⁻¹² watt por metro quadrado. Assim, 0 dB equivale exatamente a essa intensidade.
A escala decibel é logarítmica, não linear. Um aumento de 10 dB representa cerca de 10 vezes mais intensidade física; 20 dB, 100 vezes; 30 dB, 1.000 vezes. No entanto, a percepção auditiva não segue a mesma proporção: um som 10 dB maior soa aproximadamente duas vezes mais alto para o ouvido humano.
Decibéis negativos indicam que a intensidade medida está abaixo da referência. Por exemplo, -10 dB é 10 vezes menos intenso que o limiar da audição; -20 dB, 100 vezes menos; -30 dB, 1.000 vezes menos. Não se trata de 'som negativo', mas de valores menores que o ponto de comparação.
Onde encontrar decibéis negativos
Na prática, decibéis negativos são registrados em ambientes extremamente silenciosos, como câmaras anecóicas — salas projetadas para absorver reflexões sonoras e bloquear ruídos externos. O ruído de fundo nesses locais pode cair abaixo de 0 dB.
Um exemplo notável é a câmara da Orfield Laboratories, em Minneapolis (EUA), que atinge -24,9 dB. Outro é a câmara anecóica da Microsoft, em Redmond (EUA), com cerca de -20,3 dB. Nesses ambientes, o que se ouve não é o silêncio absoluto, mas os sons do próprio corpo: batimentos cardíacos, circulação sanguínea, movimentos do estômago e articulações.
Com informações de Super Interessante.