Danilo Santos e Igor Thiago, convocados para a Copa do Mundo de 2026 pela Seleção Brasileira, tiveram trajetórias marcadas por dificuldades iniciais. Ambos foram dispensados de clubes grandes nas categorias de base e encontraram em projetos sociais e times de divisões inferiores de campeonatos estaduais a chance de se destacar.
Igor Thiago, atacante, foi reprovado em um teste no Athletico-PR e, aos 17 anos, jogou a terceira divisão do Campeonato Paranaense pelo Verê FC. Danilo Santos, volante, profissionalizou-se pelo PFC Cajazeiras na segunda divisão do Baiano aos 16 anos, após ser desligado pelo Bahia no sub-15.
Danilo: da várzea ao Palmeiras
Natural de Fazenda Couto III, a 30 km de Salvador, Danilo chegou a jogar torneios de várzea depois de ser dispensado pelo Bahia. Um antigo treinador acionou um empresário pelo Facebook para que ele assistisse ao jogador. Em um dia, Danilo foi integrado ao Projeto Manassés, que tem parceria com o PFC Cajazeiras.
Igor Manassés, um dos donos do projeto, afirmou que Danilo o encantou e que o considerava acima da média para as competições de base. O primeiro contrato profissional do jogador foi assinado aos 16 anos, em 2018, com o Cajazeiras. Segundo Manassés, houve resistência do treinador Paulo Sales em escalá-lo, mas após uma partida em que o time vencia por 4 a 0, Danilo foi colocado em campo e se destacou.
Um campeonato em campos de terra na Bahia chamou a atenção de João Paulo Sampaio, coordenador das categorias de base do Palmeiras, que o contratou em 2018. Dois anos depois, a compra foi oficializada. Em 2026, Danilo é um dos destaques do Botafogo e tem dois gols pela Seleção.
Igor Thiago: vontade como diferencial
Igor Thiago saiu do Distrito Federal para fazer teste no Athletico, foi reprovado, mas permaneceu em Curitiba para atuar no Verê FC, time de uma cidade com sete mil habitantes. Bruno Saymon, seu primeiro treinador, afirmou que Igor não era o melhor talento, mas tinha a maior vontade. Ele destacou a entrega do atleta e a importância de potencializar as lacunas.
O atacante perdeu o pai aos 13 anos e, para ajudar a mãe, conciliava treinos com estudos e trabalho. Saymon lembrou que Igor chegou ao Verê sem nada, apenas com vontade e sonho, e em um ano foi para o Cruzeiro, mostrando a importância dos campeonatos estaduais e das oportunidades.
As histórias de Danilo e Igor Thiago ilustram a pluralidade do futebol brasileiro, que reúne desde jogadores formados em grandes clubes até atletas que surgiram em campos de terra e projetos sociais.
Com informações de ge — Globo Esporte.