Pesquisa Datafolha divulgada nesta semana revela que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) já protagonizam uma disputa eleitoral que, antes mesmo do início oficial da campanha, assume contornos de segundo turno. O levantamento capta os efeitos do caso "Dark Horse" — que envolve pedidos de Flávio por milhões ao banqueiro Daniel Vorcaro em maio — e o avanço das investigações sobre o Banco Master, que atingem o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA).
Impacto do caso Dark Horse
De acordo com o Datafolha, o escândalo que desnorteou a pré-campanha de Flávio não foi um mero soluço. O senador aparece dez pontos percentuais atrás de Lula no primeiro turno, e perdeu o empate técnico que animava seu comitê nas simulações de segundo turno. No entanto, o prejuízo foi limitado: Flávio conseguiu estancar a queda e se mantém como o nome mais competitivo da direita, sem ameaça real de outros pretendentes.
A pesquisa mostra que Flávio preservou a lealdade do eleitor bolsonarista e de boa parte do eleitorado de direita, mas há uma faixa restrita que demonstra hesitação. Esse distanciamento é mais nítido no primeiro turno, com perda de apoio em grupos estratégicos. O senador até recuperou alguns pontos nas últimas semanas, mas seu desempenho ainda está abaixo do capital acumulado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro em segmentos como evangélicos e brasileiros com maior escolaridade.
Cenário no primeiro turno
Na disputa de primeiro turno, Lula lidera com 37% contra 27% de Flávio, segundo o Datafolha. No recorte regional, o petista aparece quatro pontos à frente no Sudeste (37% a 33%), enquanto Flávio tem vantagem modesta de sete pontos no Sul (40% a 33%). Entre eleitores com ensino superior, Lula supera Flávio por seis pontos (38% a 32%). Já entre os homens, que no passado deram vantagens a Jair Bolsonaro, há empate técnico: 37% para cada.
Segundo turno e recuperação de Flávio
As esperanças de Flávio estão depositadas no segundo turno. Na simulação frente a frente com Lula, o senador ganha 12 pontos percentuais e recupera terreno com mais força justamente entre homens, eleitores com mais anos de estudo e no Sul. O Datafolha indica que o cenário atual deixa uma brecha para um movimento de antecipação desse fluxo ainda no primeiro turno: se os eleitores identificarem um inevitável confronto direto entre os dois candidatos — que despertam paixões intensas —, podem adiantar suas escolhas na fase inicial da votação.
A pesquisa também aponta que a avaliação do governo Lula melhora a passos lentos, e o presidente vê Flávio em seu encalço nas simulações de segundo turno. O caso "Dark Horse" provocou prejuízo limitado à candidatura do senador, mas a investigação sobre o Banco Master com Jaques Wagner surge como variável que pode diluir os efeitos do escândalo que atingiu a direita, oferecendo anticorpos a eleitores que buscam justificativa para continuar ao lado de Flávio.