Jim Caviezel como ex-presidente Jair BolsonaroO ator Jim Caviezel como o ex-presidente Jair Bolsonaro – Reprodução

A Paris Filmes recusou uma proposta para distribuir “Dark Horse”, filme de ficção sobre a biografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, que tem estreia prevista para 5 de novembro, poucos dias após o segundo turno das eleições presidenciais de 2026.

Fontes envolvidas na negociação sobre os direitos da produção confirmaram a negativa. A distribuidora, uma das maiores do mercado cinematográfico brasileiro e latino-americano, afirmou depois que avaliou o projeto, mas decidiu não seguir com o lançamento comercial do longa.

A produtora Go Up, responsável por “Dark Horse”, disse que as negociações de distribuição “fazem parte da estratégia comercial do projeto e seguem em andamento”. Outras empresas do setor foram procuradas, mas pessoas próximas ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato do PL à Presidência, afirmam que nenhum contrato foi fechado até agora.

Karina Gama, dona da Go Up, afirmou que a produtora ainda avalia alternativas. “Conversamos com diferentes distribuidoras e avaliamos, em conjunto com nossos parceiros internacionais, qual será a melhor alternativa para o lançamento do filme”, declarou.

Adiamento da estreia e pressão sobre a distribuição

A equipe do filme previa inicialmente lançar “Dark Horse” antes do pleito presidencial, marcado para o início de outubro. Problemas financeiros na reta final da produção e o temor de impacto político na candidatura de Flávio Bolsonaro levaram ao adiamento da estreia para depois da votação.

A produção também enfrenta resistência no mercado audiovisual após a polêmica sobre seu financiamento. O projeto contou com recursos de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, que está preso sob acusação de liderar uma organização criminosa.

Em maio, o Intercept revelou que Flávio Bolsonaro participou das negociações do filme e chegou a cobrar pagamentos diretamente de Vorcaro. Depois da revelação, o grupo Prerrogativas acionou o Tribunal Superior Eleitoral para tentar impedir a exibição do longa até o fim das eleições.

Os autores da ação no TSE alegam que a obra pode configurar propaganda eleitoral “antecipada” e “dissimulada”. O grupo também aponta possíveis irregularidades, como abuso de poder econômico, uso indevido dos meios de comunicação e financiamento paralelo.

O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) também moveu uma ação no Supremo Tribunal Federal para pedir investigação sobre o financiamento de “Dark Horse”. O parlamentar quer que a Corte apure se recursos ligados ao projeto bancaram a estadia de Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente, nos Estados Unidos.

A Paris Filmes informou que foi contatada “há um tempo” para avaliar eventual interesse comercial na distribuição do filme. A empresa declarou que “decidiu não avançar com a distribuição do longa” e acrescentou que “não há negociação em curso, compromisso firmado ou contrato de distribuição relacionado ao filme”.

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