O apresentador Luciano Huck afirmou, em evento empresarial, que o Bolsa Família não rompe o ciclo da pobreza e que famílias permanecem no programa por tempo indeterminado. Dados de pesquisas recentes, no entanto, indicam o contrário.

Saída do programa

Segundo estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV), 68% dos beneficiários deixaram o Bolsa Família entre 2014 e 2025. Entre adolescentes de 11 a 14 anos, a saída foi de 68,8%; entre jovens de 15 a 17 anos, chegou a 71,25%. Nos três primeiros anos do Novo Bolsa Família (2023-2025), a média mensal de saídas foi de 447 mil pessoas, contra 359 mil entradas, conforme dados oficiais.

Impactos na saúde e emprego

Pesquisa publicada na revista Nature Medicine aponta que o programa evitou 8,2 milhões de hospitalizações e 713 mil mortes entre 2004 e 2019, especialmente de crianças e idosos. A taxa de emprego entre beneficiários cresceu 4,8%, de acordo com estudo das universidades Columbia, Stanford e FGV.

Efeitos econômicos

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) estima que cada R$ 1 gasto no Bolsa Família adiciona R$ 1,78 ao PIB, com impacto no consumo local. O programa custa R$ 158 bilhões por ano e atende cerca de 50 milhões de pessoas, com benefício médio de R$ 678 mensais.

Perfil dos beneficiários

Dados do Ministério do Desenvolvimento Social indicam que 84% dos responsáveis familiares são mulheres, das quais 74,8% são negras. Segundo o Ipea, cerca de 80% dos 10% mais pobres da população brasileira são negros, enquanto 70% dos 10% mais ricos são brancos. O programa é descrito como uma política de proteção social que também atua sobre desigualdades de gênero e raça.

A crítica moralizante ao programa recai sobre os grupos que historicamente sustentaram o cuidado no Brasil com menos renda, menos proteção e menos reconhecimento.

Com informações de Intercept Brasil.