Um estudo divulgado em 29 de maio de 2026 pelo Instituto de Pesquisa Populacional YuWa revelou que, na China continental, o custo de criar um filho até os 18 anos é, em média, de 580 mil yuans (US$ 85.625). No entanto, o relatório aponta que as despesas diminuem significativamente a partir do segundo filho, desafiando a percepção de que ter mais filhos multiplica os gastos na mesma proporção.

Metodologia e custos regionais

O levantamento utilizou dados do Painel de Estudos Familiares da China, da Universidade de Pequim, e informações do Departamento Nacional de Estatísticas. Huang Wenzheng, diretor executivo do instituto, explicou que foi construído um modelo híbrido para mapear despesas por faixa etária e região. O custo mensal médio alocado por criança é de 2.543,84 yuans, mas há grande variação: famílias urbanas gastam 713 mil yuans no total, enquanto rurais desembolsam 392 mil yuans.

O estudo também calculou os "custos essenciais", excluindo gastos com itens premium e aulas particulares. Nessa métrica, o valor mensal cai para 1.732,96 yuans, uma redução de mais de 30%. Além disso, foi introduzido o conceito de "custo incremental líquido", que considera apenas os gastos adicionais reais ao ter mais um filho. Esse valor é de 1.109,63 yuans por mês, totalizando 253 mil yuans em 18 anos.

Economias de escala na criação dos filhos

O relatório quantificou pela primeira vez as economias de escala. O custo incremental líquido de um segundo filho equivale a 71,50% do custo do primeiro. Para o terceiro, cai para 60,95%, e para o quarto ou mais, despenca para 37,09%. "Se você considerar o primeiro filho como o preço integral, o segundo tem um desconto de 30% e, a partir do quarto, o desconto chega a 63%", afirmou Huang. A redução decorre do compartilhamento de recursos como roupas e brinquedos, além da experiência adquirida pelos pais.

Disparidades regionais e comparação internacional

Os custos variam conforme a região. Xangai lidera com 4.751 yuans mensais, seguida por Pequim (4.483 yuans) e Zhejiang (4.065 yuans). No extremo oposto, o Tibete registra 1.711 yuans. Huang destacou que a divisão regional permanece acentuada, exigindo políticas de apoio adaptadas a cada realidade. Em termos macroeconômicos, o custo de criar um filho na China equivale a 6,06 vezes o PIB per capita, superado apenas pela Coreia do Sul (7,79 vezes) e acima de EUA (4,11) e Japão (4,18).

Propostas de políticas públicas

O relatório recomenda um sistema nacional de benefícios, com subsídios mensais de 1.000 yuans para o primeiro filho, 2.000 para o segundo e 3.000 para o terceiro, até os 18 anos. O financiamento viria de um fundo nacional de desenvolvimento populacional, abastecido por títulos soberanos de longo prazo. Também são sugeridas reformas educacionais, como a abolição gradual do exame de admissão ao ensino médio (zhongkao), e medidas habitacionais, como descontos progressivos no valor do terreno para famílias maiores.

Na área trabalhista, o estudo defende fiscalização mais rigorosa do horário de trabalho, licença parental estendida e proteção legal para mulheres que retornam ao mercado após a licença-maternidade. Huang ressaltou que os custos não econômicos, como tempo e impacto na carreira, recaem desproporcionalmente sobre as mulheres, agravando a "penalidade da maternidade".

Com informações de Poder360.