
GE visita a casa do goleiro Vozinha, em Cabo Verde Curaçao e Cabo Verde chegaram à Copa do Mundo com trajetórias semelhantes e um ponto em comum: são pequenas ilhas que transformaram o futebol em símbolo de identidade nacional. Estreantes no torneio, os dois países despontam como candidatos ao "título" de seleções mais carismáticas do Mundial, combinando boas histórias e resultados improváveis. + Confira a tabela com os grupos da Copa do Mundo 🔍 Adicione o ge nas suas fontes favoritas do Google Vozinha, goleiro de Cabo Verde, comemora com os companheiros partida contra Espanha na Copa REUTERS/Siphiwe Sibeko De um lado, Cabo Verde vive um marco histórico ao disputar pela primeira vez a Copa. Com cerca de 500 mil habitantes espalhados por um arquipélago de dez ilhas, o país de língua portuguesa (e do crioulo cabo-verdiano) tem ganhado os holofotes no Mundial pelo conjunto da obra. A seleção, conhecida como "Tubarões Azuis", reflete a própria diáspora do país. Estima-se que existam mais cabo-verdianos espalhados pelo mundo do que vivendo no próprio país: seriam 1,5 milhão de cabo-verdianos pelo mundo, segundo publicou o jornal local "Expresso das Ilhas". Não em vão, muitos jogadores nasceram fora país (14 dos 26, especificamente), mas escolheram defender a origem familiar, formando um grupo multicultural e unido. Presidente de Cabo Verde destaca importância da Copa para o país Essa mistura ajuda a explicar o estilo competitivo que já apareceu na Copa. Na estreia, a equipe segurou um empate sem gols com a Espanha, um dos favoritos ao título. Foi a consagração de um herói improvável: o goleiro Vozinha, 40 anos, ganhou fama mundial. No Instagram, saltou de 50 mil seguidores para mais de 15 milhões em poucos dias. Após o jogo, Vozinha emocionou a todos na zona mista ao revelar que a mãe dele, Ana Évora, não estava presente no jogo por conta de problemas para conseguir o visto e ir para os Estados Unidos. Raphael Bózeo mostra curiosidades de Cabo Verde, país que disputará a Copa 2026 Não tardou para que uma onda solidária fizesse cegar ao Departamento de Estado estadunidense, que ajudou a viabilizar a viagem da mãe do jogador. E lá estava ela, recebida pelo presidente da Fifa, Gianni Infantino, para ver o filho ajudar a conquistar mais um resultado histórico: empate por 2 a 2 com o Uruguai. Presidente da Fifa tieta mãe de Vozinha em jogo de Cabo Verde na Copa Para o goleiro Vozinha, um dos campeões de carisma dessa Copa - ganhou até máscara com o seu rosto -, o momento tem dimensão simbólica. "Realizamos os sonhos dos nossos antepassados, dos nossos avós e bisavós", afirmou à Fifa. Não em vão, a saga da seleção de Cabo Verde para chegar ao Mundial se tornará um documentário, intitulado "Um milagre no Atlântico", que vai retratar os bastidores e momentos decisivos da equipe nas Eliminatórias Africanas. Bisneto de cabo-verdiana, o cantor brasileiro Seu Jorge vai narrar o documentário com estreia prevista para o segundo semestre. + Herói de Cabo Verde, Vozinha foi batizado em homenagem a ex-Seleção; saiba origem do apelido + Humilde, "chato pra cacete" e modelo por um dia: as facetas de Vozinha, sensação da Copa + Um país, muitas ilhas: por que o futebol de Cabo Verde é único no mundo + Cabo Verde na Copa do Mundo: dez curiosidades sobre o país africano que vai estrear na competição Máscara Vozinha na Copa do Mundo REUTERS/Paul Childs Do outro lado, Curaçao carrega uma história parecida, mas ainda mais extrema em escala. Com pouco mais de 150 mil habitantes, é o menor país da história a disputar uma Copa do Mundo. Assim como Cabo Verde, também usa a diáspora como principal fonte de talentos: 25 dos 26 jogadores do elenco nasceram e foram formados na Holanda. Até o treinador é holandês: Dick Advocaat. Curiosamente, o principal jogador do time, o atacante Tahith Chong é o único que nasceu em Curaçao, na capital Willemstad. + Da torcida pelo Brasil ao orgulho de Curaçao: a mudança de uma ilha rumo à primeira Copa Torcedor de Curaçao no jogo contra a Alemanha REUTERS/Phil Noble O país, a primeira pequena ilha do Caribe em Mundiais, foi colônia holandesa por quase 400 anos, entre os séculos XVII e XXI. Até hoje, segue integrado ao Reino dos Países Baixos, ao lado da Holanda e das ilhas caribenhas de Aruba e São Martinho. Curaçao conquistou o status de país autônomo - e não independente - apenas em 2010. O idioma nativo mais falado de de Curaçao é o Papiamento, que mistura espanhol, holandês, línguas da África Ocidental e o português. Todas as pessoas que nascem em Curaçao ganham passaporte holandês. A conexão entre futebol e identidade aparece claramente na "Onda Azul", como é conhecida a torcida. Para os curaçauenses, a Copa representa união. - Somos uma pequena ilha, mas temos um grande coração - resumiu o torcedor Virgil Ijenia, durante a estreia. Jogadores de Curação comemoram primeiro ponto na Copa REUTERS/Hannah Mckay Em campo, o time foi marcou o primeiro gol em Copas contra a poderosa Alemanha com o volante Comenencia. Acabou goleado por 7 a 1. Não foi o mesmo furacão que devastou o Brasil em 2014. No jogo seguinte, a história escrita: a equipe caribenha conquistou seu primeiro ponto em Mundiais, após empate com o Equador, tornando-se o 74º país a pontuar na competição. Máxima Zorreguieta Cerruti, Rainha da Holanda, dançou no vestiário e ainda ganhou um beijo do goleiro Eloy Room, após o resultado histórico (ver vídeo abaixo). Rainha assiste a jogos de Holanda e Curaçao no mesmo dia e mostra festa nos vestiários + Simulador da Copa: projete os resultados do Mundial 🗓️ Calendário da Copa do Mundo 2026: veja datas e horários de todos os jogos Além de serem seleções estreantes na Copa e surpresas nos respectivos grupos, as duas seleções convergem por ter um futebol local amador. Na "Promé Division", a primeira divisão curaçauense, muitos atletas conciliam os treinos com outras profissões por não conseguir viver somente do esporte. O mesmo acontece com o Cabo-Verdizão, onde os clubes são associações comunitárias, que vivem de patrocínio do Estado, de doação e de arrecadação local. Os dois países também se unem pelos goleiros em alta. Pelo Cabo Verde, o agora famoso Vozinha. Na seleção de Curaçao, atuação destacada do goleiro Eloy Room contra o Equador. Fora de campo, as semelhanças seguem. Cabo Verde é um arquipélago africano marcado pela dispersão de sua população pelo mundo - a chamada "11ª ilha" -, que hoje se reflete diretamente na seleção . Já Curaçao, autônomo dentro do Reino dos Países Baixos, também construiu sua equipe a partir de uma identidade globalizada, reunindo descendentes espalhados principalmente pela Europa. Vista de Willemstad, em Curaçao Karina Trevizan/G1 As diferenças aparecem mais no tamanho e no contexto. Enquanto Cabo Verde tem território maior (4.033 km² x 443 km²) e uma população mais três vezes superior, Curaçao é a menor nação já presente em um Mundial. Ainda assim, ambos mostram que o futebol pode reduzir distâncias e projetar pequenas ilhas ao centro do cenário global. Entre histórias de superação, elencos formados além das fronteiras e atuações que desafiam a lógica, Curaçao e Cabo Verde já deixaram sua marca na Copa. E, mesmo sem levantar a taça, seguem firmes na disputa por um outro título: o de seleções que mais encantam pela trajetória.