Na segunda-feira (15), o programa Vida & Água para Aris, transmitido pela TV Comunitária de Brasília, reuniu parlamentares, representantes sindicais e moradores para debater o projeto aprovado pela Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF). A proposta autoriza o Governo do Distrito Federal (GDF) a contratar um empréstimo para viabilizar o acordo de recapitalização do Banco de Brasília (BRB) em decorrência de operações com o Banco Master.
Críticas ao montante e às garantias
O deputado distrital Gabriel Magno (PT-DF) afirmou que a operação pode resultar em um empréstimo de até R$ 6,5 bilhões e que, ao longo de 15 anos, o Distrito Federal desembolsaria cerca de R$ 20 bilhões para quitar a dívida. Segundo ele, a medida transfere para a população os custos de problemas relacionados à gestão do banco. "É um empréstimo para pagar uma conta fruto de um crime que o governo do Distrito Federal cometeu com a gestão corrupta do BRB. Roubaram o banco, roubaram Brasília e agora estão desesperados para cobrir esse rombo", declarou. O parlamentar também criticou as garantias previstas na operação, que, em sua avaliação, podem limitar investimentos públicos, reajustes salariais e nomeações no serviço público. Magno informou que pretende questionar a constitucionalidade da lei na Justiça após a sanção.

Impacto sobre a população
O apresentador e professor da UnB, Perci Coelho, também se posicionou contra a medida. "O governo do Distrito Federal está quebrado, o BRB está quebrado. Então essa solução que eles encontraram é repassar para a população o pagamento de uma conta absurda, que ninguém sabe o tamanho", afirmou. Para ele, os valores envolvidos terão impacto direto sobre os trabalhadores e moradores do DF. "Essa conta aí desse valor absurdo, que são bilhões de reais, é o pobre que vai pagar", completou.
Moradora do Porto Rico, na Área de Regularização de Interesse Social (Aris), Maristela Marques criticou a aprovação do projeto pelos deputados distritais e defendeu que os responsáveis pelo prejuízo arquem com os custos. "O pai de família que mal ganha para pagar aluguel, comer e água e luz, quer dizer que ainda vai ter que pagar rombo que os outros deixaram? Não. Quem fez que arca com as consequências", afirmou.

Manifestações sindicais
Representantes sindicais também participaram do debate. O diretor do Sindicato dos Servidores da Assistência Social e Cultural do DF (Sindsasc), Clayton Avelar, afirmou que o acordo beneficia setores privilegiados da sociedade e pode ampliar os impactos das regras de ajuste fiscal sobre os investimentos públicos no Distrito Federal.
Já Paulo César, diretor do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Purificação e Distribuição de Água e em Serviços de Esgotos do Distrito Federal (Sindágua-DF), questionou os objetivos da operação e a relacionou a investigações envolvendo ex-dirigentes do BRB e do Banco Master. "Nós não estamos falando só de um investimento mal sucedido", declarou. Segundo ele, a medida pode trazer consequências duradouras para a classe trabalhadora do DF.

Pedidos de transparência
Ao longo do programa, os participantes defenderam a revisão do acordo, cobraram maior transparência sobre seus impactos financeiros e criticaram a possibilidade de que recursos públicos sejam utilizados para cobrir prejuízos que, segundo eles, não deveriam ser assumidos pela população do Distrito Federal.