Poluentes, secas e usinas hidrelétricas estão provocando transformações irreversíveis nos rios da Amazônia e na vida que eles abrigam. Comunidades ribeirinhas e indígenas já relatavam o fenômeno, e agora cientistas começam a comprovar: os peixes amazônicos estão ficando mais escassos, menores e apresentando deformações.
O ecossistema sofre, assim como as populações que dependem da pesca para sobreviver. As perspectivas de aquecimento do clima para os próximos anos tornam o cenário ainda mais grave, enquanto as ações de proteção permanecem limitadas.

Barragens no Rio Madeira reduzem estoques pesqueiros
Na comunidade do Lago Puruzinho, no Amazonas, a construção das usinas de Santo Antônio e Jirau, em Rondônia, alterou drasticamente a realidade do Rio Madeira. Pescadores locais perceberam a queda nos estoques de espécies como o pirarucu e o tambaqui e se uniram a cientistas para investigar os impactos. Essa parceria resultou em pesquisas inéditas sobre os efeitos ambientais e sociais das barragens.
Peixes deformados no Rio Xingu
No Rio Xingu, no Pará, espécies de peixes exibem corpos ovais, curtos e arredondados, entre outras deformidades. Essas características atípicas estão associadas à operação da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, que alterou o pulso de inundação do rio e aqueceu as águas. Pescadores relatam com frequência o encontro com peixes deformados, enquanto estudos apontam múltiplos fatores que afetam a biodiversidade local.

Derramamento de petróleo contamina peixes no Rio Negro
Em 2013, cerca de 60 mil litros de um composto derivado de petróleo vazaram de uma balsa perto do Porto São Raimundo, em Manaus, tingindo as águas do Rio Negro. Peixes como o acará-amarelo e o jurupari passaram a apresentar coloração escura e aspecto viscoso. Mais de uma década depois, estudos mostram que os impactos persistem: mesmo com a dispersão do contaminante na água, os animais continuaram expostos aos efeitos químicos, e até seu DNA foi afetado.
Secas extremas agravam a crise
Nos últimos anos, a Amazônia enfrentou algumas das piores secas de sua história. A biodiversidade sentiu os efeitos de diferentes formas, e os peixes estão entre os mais afetados. O aquecimento do clima deve tornar as águas mais quentes e os rios mais secos, alterando a reprodução e o crescimento dos peixes. Isso ameaça não apenas a fauna, mas também as populações humanas que têm nos peixes a maior fonte de proteína animal da região.

Especialistas consultados em Manaus apresentam estudos, dados e prognósticos que traçam um raio-x da crise gerada pela estiagem, reforçando a urgência de medidas de proteção.
Com informações de Mongabay Brasil.