A sessão desta quinta-feira (18) é marcada pela ausência de indicadores relevantes no Brasil e pela digestão das decisões de política monetária tomadas na véspera nos Estados Unidos e no país. O Federal Reserve (Fed) manteve a taxa básica de juros entre 3,50% e 3,75%, conforme esperado, enquanto o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central brasileiro reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual (p.p.), para 14,25% ao ano, em decisão unânime. Foi o terceiro corte consecutivo.
Nos Estados Unidos, serão divulgados os pedidos semanais de auxílio-desemprego (previsão de 225 mil) e os dados de exportação de grãos do USDA. A agenda doméstica brasileira está vazia. No exterior, o mercado acompanha ainda a reunião do Banco da Inglaterra, que deve manter a taxa em 3,75%, e do Banco Nacional Suíço, com juros esperados em 0%.

Política monetária e mercado acionário
O Fed optou por não alterar os juros, mas sinalizou que a inflação deve demorar mais para cair e que novas altas ainda são possíveis, gerando cautela. No Brasil, o Copom cortou a Selic pela terceira vez seguida, deixando em aberto os próximos passos. A expectativa do mercado é de que o Banco da Inglaterra mantenha a taxa em 3,75% na reunião desta quinta, enquanto o Banco Nacional Suíço deve preservar os juros em 0%.
O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, encerrou a quarta-feira (17) em queda de 0,7%, aos 168.453,93 pontos, renovando a mínima de fechamento desde janeiro. O movimento foi influenciado pelas projeções de autoridades do Fed apontando para um possível aumento dos juros nos Estados Unidos ainda neste ano.

Acordo interino entre EUA e Irã
No campo geopolítico, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou um acordo interino para encerrar a guerra com o Irã e reabrir o Estreito de Ormuz. Segundo uma autoridade americana, o chamado memorando de entendimento já está em vigor, mas ainda não está claro se a via marítima foi reaberta. Autoridades dos dois países assinaram eletronicamente o acordo na noite de quarta-feira (17), conforme confirmaram a fonte americana e a mídia estatal iraniana. Republicanos criticaram a medida, afirmando que ela equivale a uma vitória para Teerã.
Trump ameaça sanções à Rússia e critica Brasil
Trump também afirmou, nesta quarta-feira, que pode restabelecer as sanções contra a Rússia. “Eu queria garantir que o preço do petróleo permanecesse o mais baixo possível… Talvez eu as restabeleça”, declarou. A decisão ocorre após o Tesouro dos EUA não publicar uma prorrogação da isenção das sanções sobre o petróleo russo transportado por via marítima, que expirou na terça-feira à meia-noite.

Durante o encontro do G7 na França, Trump disse a jornalistas que o Brasil se tornou um país “um pouco agressivo e politicamente perigoso”.
Resposta de Lula
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva rebateu as declarações de Trump. “Eu acho que ele tem direito de ter as preferências eleitorais dele, as preferências ideológicas dele. Eu só espero que ele não fira o código de ética entre as nações que querem ser respeitadas na sua soberania”, afirmou Lula. Em conversa com o líder da Coreia do Sul, Lee Jae-myung, captada pela agência AP, Lula acrescentou: “O Brasil não tem divergência com nenhum país. Eu não gosto de brigas.”
Agenda de indicadores desta quinta
- Estados Unidos: Pedidos de auxílio-desemprego (semanal, previsão 225 mil); exportação de grãos (USDA, semanal) — ambos às 9h30.
- Reino Unido: Decisão de política monetária do Banco da Inglaterra (previsão 3,75%) — às 8h.
- Suíça: Decisão do Banco Nacional Suíço (juros esperados em 0%).
Com informações de Agência Brasil, Reuters, O Globo e Estadão Conteúdo.