O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual na última reunião, levando os juros básicos para 14,25% ao ano. A decisão ocorreu em meio a eventos globais como a assinatura de um acordo preliminar entre Estados Unidos e Irã, que sinaliza o possível fim da guerra no Oriente Médio, e a manutenção das taxas pelo Federal Reserve (Fed) nos Estados Unidos.
Apesar do corte, analistas alertam que o alívio pode ser temporário. Para Matheus Spiess, estrategista da Empiricus, uma pausa no ciclo de afrouxamento monetário é praticamente inevitável. “Do ponto de vista analítico, a pausa parece praticamente inevitável. A combinação entre inflação corrente elevada, expectativas desancoradas, fiscal mais ruidoso e bancos centrais globais mais duros reduz drasticamente o espaço para a continuidade do afrouxamento monetário”, afirmou.

Cenário doméstico: fiscal preocupa
No Brasil, o ambiente fiscal continua sendo o principal obstáculo para cortes adicionais. Spiess destacou que o governo mantém um histórico de contas públicas deficitárias, o que não contribui para um quadro de inflação e juros altos por mais tempo. “Como é ano eleitoral, ninguém vai falar isso, mas é um problema que tem piorado”, disse. Para ele, um pacote de ajustes fiscais deve vir “obrigatoriamente” em 2027.
A comunicação do Copom também gerou incertezas. Na interpretação do analista, o Comitê pareceu querer preservar espaço para eventuais cortes adicionais, mas isso pode ser custoso para o câmbio e os juros de longo prazo. “Embora o Comitê tenha elevado a exigência para novas reduções de juros, preservou uma flexibilidade em sua função de reação, evitando condicionar de forma clara os próximos passos. Para parte do mercado, essa abordagem pode ser interpretada como um sinal de maior tolerância à desancoragem inflacionária, o que levanta questionamentos sobre a credibilidade futura da política monetária”, completou.
Segundo o último boletim Focus, divulgado em 15 de abril, as expectativas do mercado apontam para uma Selic terminal de 13,75% ao ano em 2026. O mercado monitora possíveis mudanças nas projeções nos próximos dias.
Cenário global: juros altos por mais tempo
No âmbito internacional, Spiess ressaltou que mesmo com o possível fim do conflito no Oriente Médio, o mundo não retornará ao conforto monetário anterior à crise. “A paz reduz a probabilidade de um choque de oferta, mas não apaga o legado inflacionário. Energia mais cara se espalha pelo frete, pelos custos industriais, pela produção de alimentos, pelas tarifas de serviços e, sobretudo, pelas expectativas”, afirmou.
O chamado G4 dos bancos centrais (Estados Unidos, Japão, Reino Unido e Zona do Euro) pode validar um regime global de juros mais altos por mais tempo. A Zona do Euro elevou seus juros pela primeira vez desde 2023 em 11 de abril, e o Fed manteve a taxa no intervalo de 3,50% a 3,75%, com parte de seus membros prevendo ao menos uma elevação ainda em 2026.
Orientação para investimentos
Diante desse cenário incerto, Spiess recomenda cautela na alocação de recursos. Ele é um dos responsáveis pela carteira Empiricus Megatendências, que busca identificar transformações tecnológicas, geopolíticas e econômicas para direcionar investimentos. A seleção atual inclui ativos voltados para:
- Commodities;
- Corrida aeroespacial;
- Inteligência Artificial (IA);
- Dentre outros temas.
O relatório completo com as indicações está disponível no BTG Content, plataforma do BTG Pactual, onde é possível investir de forma automática nos ativos recomendados, incluindo rebalanceamento e troca de ativos quando necessário.