O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiu, nesta quarta-feira (17), reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,25% ao ano, confirmando as expectativas do mercado. Foi o terceiro corte seguido da mesma magnitude. No comunicado da decisão, o colegiado voltou a alertar para os efeitos da política fiscal doméstica sobre a condução da política monetária e o balanço de riscos inflacionários.

Corte da Selic e contexto econômico

A redução de 0,25 ponto mantém a trajetória de afrouxamento monetário iniciada nas reuniões anteriores. O Copom apontou que os indicadores de atividade econômica mostram recuperação em relação ao último trimestre de 2025, mas seguem consistentes com uma desaceleração no acumulado de 2026. O cenário ainda é marcado por expectativas de inflação desancoradas, projeções elevadas e pressões no mercado de trabalho.

Alerta sobre riscos fiscais

No comunicado, o Comitê afirmou: “O Comitê segue acompanhando como os desenvolvimentos da política fiscal doméstica impactam a política monetária e os ativos financeiros, reforçando a postura de cautela em cenário de maior incerteza”. Na reunião anterior, no fim de abril, o BC já havia feito alerta semelhante. Desta vez, porém, o Copom incluiu explicitamente o possível estímulo ao consumo gerado por decisões fiscais como um dos riscos de alta para a inflação.

Riscos de alta e baixa para a inflação

O BC destacou que os riscos para a inflação, tanto de alta quanto de baixa, permanecem mais elevados que o usual. Entre os fatores de alta, o colegiado citou:

  • Conjunção de políticas econômicas externa e interna com impacto inflacionário maior que o esperado, por exemplo, por meio de uma taxa de câmbio persistentemente mais depreciada;
  • Estímulos à demanda agregada, em particular ao consumo, que resultem em crescimento da atividade econômica acima do produto potencial, enfraquecendo parte dos canais usuais de transmissão da política monetária.

O Copom não detalhou medidas fiscais específicas, mas reiterou que o acompanhamento da política fiscal continua sendo crucial para as decisões futuras de juros.