A transmissão da TV não é mais a mesma, o narrador está cansado e sem paciência, já mudou de emissora e parece sem forças para narrar os jogos do Brasil. No outro canal o jornalismo deu lugar ao entretenimento fanfarrão, sem compromisso com a informação. Do YouTube emerge o Canal das Bets, onde o merchandising se torna cansativo com narradores histéricos e repórteres sem noção que simulam prisão por desacato, é a era das fake news que vira piada, pegadinha do Mallandro.
A Seleção Brasileira não é mais a mesma, retraída e claudicante, o treinador não aplica a filosofia do futebol arte, que está morto, o que importa é o resultado, o imediatismo. O craque Neymar é uma efêmera esperança de um passado de glórias que não se confirmou. A Copa de 2014 ainda não acabou para ele.
A Copa de Trump é a Copa do colonialismo, da celebração do poder do dinheiro e dos dirigentes que assistem como reis às partidas nas tribunas dos estádios, sempre lotados. As pessoas não olham mais para o jogo, olham para o telão esperando sua imagem no espelho da multidão.
Brancos, negros, latinos, árabes e orientais jogam sob a mesma bandeira do neoliberalismo. O espetáculo não pode parar e nem as apostas. No canal das Bets você pode assistir todos os jogos de graça, mas é bombardeado por publicidade que estimula a aposta. Craques, ex-jogadores e celebridades te convidam para apostar.
O “Rei” está morto, o sistema precisa de um novo rei, Pelé já está morto, e morto será novamente. É a hora de Messi, o novo “Rei”, o argentino exaltado pelo canal das Bets. Pelé não vende mais, como vendia. Pelé não gera mais publicidade, Pelé está morto, Pelé não vende mais nada.
Pênalti! Messi vai cobrar, é o recorde das copas, e Messi chuta pra fora! O narrador grita, diz não acreditar no que está vendo. Minutos depois do gol da Argentina, gol de Messi, o recorde é quebrado, o narrador celebra. É a construção do consenso, Pelé está morto.
O careca da Fifa aparece feliz e sorridente, a Copa é um sucesso, é hora de coroar o novo “Rei”. Quem, Trump ou Messi?
Bets, álbum de figurinhas, é o consumo frenético das marcas, tudo tão corrido quanto a narração de uma partida.
O filósofo que adora futebol está descrente de tudo, e parafraseando Nietzsche, “o rei está morto”, quem será o novo rei?
*Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Fórum.