A Copa do Mundo de 2026, que será disputada entre 11 de junho e julho nos Estados Unidos, Canadá e México, deve gerar o consumo de 1 bilhão de copos extras de cerveja, segundo estimativas de analistas do banco Jefferies. O torneio contará com 48 seleções e 104 partidas, um aumento em relação às 64 partidas das edições anteriores, o que o torna a Copa com maior potencial de consumo de bebidas da história.
Para chegar ao número, os analistas da Jefferies extrapolaram dados de Copas anteriores. O volume extra equivale a 5,9 milhões de hectolitros, ou um aumento de 3% nas vendas durante os 39 dias de competição. Anualizado, o impacto é de 0,3%. A expectativa é que o torneio impulsione os volumes de vendas entre 0,2% e 0,3% em 2026.
O analista Ed Mundy, da Jefferies, destacou que o horário das partidas é um fator crucial para o consumo de cerveja. Jogos envolvendo países da Europa e das Américas foram programados para coincidir com os horários de pico de consumo local, entre 17h e 23h. Essas regiões abrigam seleções favoritas e países-sede, representando cerca de 55% do volume global de cerveja.
A AB InBev, dona de marcas como Corona, Budweiser e Stella Artois, é apontada como a maior beneficiada, tanto por ser patrocinadora do torneio quanto por sua forte presença nos países-sede. A Ambev, na América Latina, é filiada à marca. Marcel Marcondes, diretor de marketing da AB InBev, afirmou: "É a maior Copa do Mundo de todos os tempos e a expectativa é gigantesca".
Em comparação com a Copa de 2022, no Catar, onde a venda de bebidas alcoólicas nos estádios foi proibida de última hora, o torneio deste ano deve proporcionar um impulso significativamente maior. Na ocasião, a Budweiser enviou a cerveja não vendida para o país vencedor, em uma campanha chamada "Bring Home the Bud". Marcondes disse que a empresa manterá flexibilidade para redistribuir estoques rapidamente, com contêineres de Budweiser sendo enviados para os países vencedores.
No entanto, a analista do Morgan Stanley Sarah Simon alertou para riscos: se um país for eliminado antes do esperado, as empresas podem ficar com excesso de estoque; se avançar inesperadamente, podem faltar cerveja. "Elas não saberão quais seleções vão avançar no momento do envio do estoque", disse Simon.
O boom cervejeiro pode ajudar a reviver o interesse de investidores em um setor que enfrenta desafios. Segundo a provedora de dados IWSR, os volumes globais de vendas de cerveja caíram 1% em 2025, com consumo fraco em mercados como Estados Unidos e Brasil. As cervejarias têm diversificado para opções sem álcool, com baixo teor alcoólico ou premium. A Carlsberg migrou para refrigerantes, e a Heineken promoveu os benefícios sociais do consumo. Já a AB InBev apostou no marketing de eventos esportivos globais, como as Olimpíadas e a Copa do Mundo, para se beneficiar da "economia da experiência".
Com informações de Folha — Mercado.