A proximidade da Copa do Mundo de 2026 intensifica a concorrência entre casas de apostas esportivas e mercados de previsão. O torneio, que começa em 11 de junho, será disputado nos Estados Unidos, Canadá e México, com formato expandido de 48 seleções e 104 partidas ao longo de 39 dias, contra 64 jogos na edição anterior.

Executivos do setor destacam o potencial do evento. O CEO da Flutter, Peter Jackson, classificou o torneio como "a maior oportunidade de apostas que já vimos". Jason Robins, chefe da DraftKings, afirmou que será "um enorme ponto focal para aquisição de clientes".

Mercados de previsão ganham espaço

Esta é a primeira Copa do Mundo desde que operadores de mercados de previsão como Polymarket e Kalshi avançaram rapidamente no mercado global de apostas. Essas empresas vendem contratos do tipo "sim ou não" sobre eventos diversos, incluindo jogos de futebol, reality shows e eleições. Diferentemente das bets tradicionais, os bônus são baseados nos valores investidos, como em uma Bolsa, e os títulos podem ser negociados a qualquer momento.

Atualmente, os dois maiores operadores de mercados de previsão obtêm a maior parte da receita com apostas esportivas. Na Polymarket, o valor total de contratos comprados e vendidos sobre o campeão da Copa já atinge quase US$ 1,5 bilhão (R$ 7,6 bilhões).

Estratégias das casas de apostas

Para competir, a Flutter planeja introduzir uma nova interface gamificada antes da Copa, permitindo apostas ao vivo sobre a área do gol em cobranças de pênalti. O grupo também expande promoções para apostas múltiplas lucrativas — "accumulators" no Reino Unido e "parlays" nos EUA — que oferecem grande pagamento se uma série de apostas der certo. Nos EUA, a Flutter oferecerá mercados de 120 minutos (incluindo prorrogação) e "microapostas" em intervalos mais curtos.

A DraftKings lançou uma versão em espanhol de seu produto para a Copa. Tanto DraftKings quanto FanDuel agora oferecem mercados de previsão em suas próprias plataformas, usando dados de geolocalização para funcionar mesmo em estados que proíbem apostas esportivas.

O CEO da BetMGM, Adam Greenblatt, defendeu que ofertas especiais e recompensas, como apostas grátis, fazem parte da "experiência de produto" superior das apostas esportivas online.

Riscos e desafios

Alguns executivos temem que a disputa por clientes possa gerar gastos excessivos. Um executivo de uma grande empresa de apostas afirmou que "historicamente, houve muito desperdício de gastos no setor [em torno da Copa do Mundo] porque é vista como uma grande oportunidade de aquisição de clientes", e que a tendência pode ser exacerbada "porque todos estão muito preocupados com os mercados de previsão".

O formato expandido também complica a definição de odds lucrativas, devido à escassez de dados de desempenho de seleções estreantes como Cabo Verde, Curaçao, Jordânia e Uzbequistão. A CEO da Entain, Stella David, alertou que, embora a Copa seja "ótima para volumes", o formato estendido pode resultar em "margens oscilando muito porque haverá jogos com muitos gols e placares elásticos".

Peter Jackson, da Flutter, disse torcer pela Inglaterra, mas admitiu que uma vitória inglesa seria um resultado caro para a empresa.

Com informações de Folha — Esporte.