A poucos dias da abertura da Copa do Mundo de 2026, que começa na próxima quinta-feira (11), a presença do torneio em Nova York é discreta. A reportagem da Folha, ao chegar no aeroporto JFK na sexta-feira (5), foi recebida por uma agente de imigração que, ao se referir ao evento, chamou-o de "that big soccer thing" (aquele negócio grande de futebol).

O Mundial será realizado nos Estados Unidos, México e Canadá, com 78 dos 104 jogos em solo americano. A final está marcada para 19 de julho no MetLife Stadium, em East Rutherford, na região metropolitana de Nova York. Apesar disso, o ambiente festivo típico da competição ainda não é perceptível.

"Se você perguntar para dez não latinos na rua, uns cinco não devem saber que tem Copa", afirmou o brasileiro Vinicius Nascimento, 45, chef de cozinha que vive em Nova York há 14 anos.

Embora o futebol tenha crescido nos Estados Unidos, com uma seleção feminina vencedora e uma liga masculina que conta com Lionel Messi, o esporte não tem a popularidade do futebol americano, beisebol ou basquete. O basquete local vive um momento decisivo: o New York Knicks está na final da NBA pela primeira vez desde 1999 e busca o primeiro título desde 1973, após vencer o primeiro jogo da série contra o San Antonio Spurs.

O prefeito Zohran Mamdani, nascido em Uganda e torcedor do Arsenal, tem ligação com o futebol e negociou com a Fifa para que parte dos ingressos tivesse preços mais acessíveis. No entanto, seu entusiasmo não se reflete na população.

No House of ‘Cue, bar esportivo em frente ao MetLife Stadium, as referências ao Mundial se resumiam a uma faixa de cerveja patrocinadora com a taça. As TVs sintonizavam programas sobre basquete e futebol americano. Na Fox Sports, Colin Cowherd comparava o armador Jalen Brunson a quarterbacks históricos; na ESPN, discutia-se a possível ida de LeBron James para o Golden State Warriors e a renovação de Austin Reaves com o Lakers. Na parede, um uniforme emoldurado do running back Ricky Brown, ídolo do futebol americano universitário.

No aeroporto, ao contrário do que se viu na Copa de 2022 no Qatar e nos Jogos Olímpicos de Paris em 2024, havia poucos indícios de que o Mundial está prestes a começar. A Copa ainda não "pegou" no palco da grande final.

Com informações de Folha — Esporte.