Uma das histórias mais marcantes da trajetória da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 1982 envolve uma resposta bem-humorada que se tornou símbolo da diferença técnica entre o Brasil e seus adversários naquele torneio.
O episódio foi lembrado pelo capitão brasileiro Sócrates e aconteceu momentos antes da estreia da equipe contra a Escócia, na Espanha. Durante o tradicional encontro dos capitães para o sorteio de campo e bola, o árbitro espanhol Augusto Lamo Castillo dirigiu-se aos jogadores com uma frase protocolar: “Que vença o melhor”.
A resposta veio imediatamente do capitão escocês Graeme Souness, que arrancou risos dos presentes ao retrucar: “Espero que não”.
A observação bem-humorada refletia a percepção que cercava a equipe comandada por Telê Santana. Considerado um dos times mais talentosos da história do futebol, o Brasil chegava ao Mundial cercado de expectativas graças ao futebol ofensivo e técnico apresentado por jogadores como Sócrates, Zico, Falcão e Éder Aleixo.
Escócia saiu na frente
Apesar do favoritismo brasileiro, a Escócia surpreendeu logo no início da partida. O lateral David Narey marcou um belo gol e colocou os escoceses em vantagem.
A reação brasileira, porém, foi imediata. Mantendo a calma e o estilo ofensivo característico daquela geração, a Seleção virou o placar e venceu por 4 a 1. Os gols foram marcados por Zico, Oscar Bernardi, Éder e Falcão.
O resultado confirmou a força da equipe e ajudou a consolidar a imagem do Brasil de 1982 como um dos maiores expoentes do chamado “futebol-arte”. Embora a seleção tenha sido eliminada posteriormente pela Itália e não tenha conquistado o título mundial, o time segue lembrado como uma das equipes mais brilhantes e admiradas da história das Copas do Mundo.
Décadas depois, a resposta de Graeme Souness ao árbitro continua sendo uma das passagens mais curiosas e bem-humoradas daquele Mundial, resumindo em poucas palavras o respeito — e o temor — que a seleção brasileira despertava em seus adversários.