O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) afirmou que pretende seguir como pré-candidato a suplente de senador mesmo após ter sido condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) pelo crime de coação no âmbito do processo que investigou a trama golpista. Em entrevista ao SBT News, ele declarou que ocupará a primeira suplência na chapa encabeçada por André do Prado (PL), presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo.

“Pretendo seguir como suplente na chapa encabeçada pelo pré-candidato André do Prado. Acho que ele vai ser o senador mais votado de São Paulo”, afirmou. A segunda suplência deve ser ocupada por Fernando Fiori de Godoy, ex-prefeito de Holambra. André do Prado será um dos candidatos ao Senado na chapa apoiada pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). O outro nome confirmado para a disputa é Guilherme Derrite (PP). A articulação mantém o PL no centro da composição eleitoral da direita em São Paulo.

Condenação e inelegibilidade

A situação jurídica de Eduardo Bolsonaro tornou-se o principal entrave da chapa. Ele foi condenado a quatro anos e dois meses de reclusão, em regime inicial semiaberto, além de multa de R$ 162,1 mil. O STF também declarou sua inelegibilidade por oito anos e determinou a perda do cargo de escrivão da Polícia Federal. A condenação ocorreu no processo em que a Procuradoria-Geral da República acusou Eduardo de atuar nos Estados Unidos para articular sanções contra autoridades brasileiras e pressionar o Judiciário. Segundo a denúncia, a ofensiva buscava interferir no julgamento da trama golpista que condenou Jair Bolsonaro.

Mesmo inelegível, Eduardo Bolsonaro voltou a defender sanções contra o ministro Alexandre de Moraes. Ele considerou “natural” uma eventual retomada da Lei Magnitsky contra o ministro, suspensa pelo governo de Donald Trump em dezembro de 2025, após ter sido aplicada entre julho e dezembro daquele ano.

Risco de impugnação da chapa

A insistência em ocupar a suplência pode abrir uma nova frente na Justiça Eleitoral. Em maio, o DCM já havia mostrado que o PL via risco de a chapa de André do Prado ser atingida pela Lei da Ficha Limpa caso Eduardo Bolsonaro fosse condenado. Especialistas ouvidos pela Folha afirmaram que a manutenção do ex-deputado na suplência pode levar à impugnação de toda a chapa.

Eduardo Bolsonaro vive nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025. Ele não indicou advogados no processo no STF, foi defendido pela Defensoria Pública da União e não compareceu aos interrogatórios. A defesa sustentou que o processo deveria ser anulado e que a intimação deveria ter sido feita por carta rogatória.