Uma substância derivada do alho, o dissulfeto de dialila, pode aumentar a eficácia da quimioterapia contra o câncer colorretal. Estudo conduzido por pesquisadores da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FCFRP-USP) mostrou que o composto, ao interagir com o quimioterápico 5-fluorouracilo, potencializa a destruição de células tumorais, preservando as saudáveis.
O estudo
No trabalho, financiado pela Fapesp e publicado na revista Nutrients, os cientistas avaliaram o impacto de diferentes tratamentos em duas linhagens de células de câncer colorretal (Caco-2 e HT-29) e em células saudáveis da veia umbilical humana. As células foram expostas por 24 horas ao quimioterápico 5-fluorouracilo e ao dissulfeto de dialila, isoladamente ou em combinação. Em seguida, mediram a citotoxicidade — capacidade de destruir células tumorais sem danificar as saudáveis.
Resultados promissores
Os resultados indicaram sinergia entre o extrato de alho e o quimioterápico, resultando em ação mais eficaz contra as células tumorais. “A conclusão foi que a sinergia entre o extrato de alho e o quimioterápico levou a uma ação mais eficaz contra as células tumorais utilizadas no estudo, mostrando que o uso do nutracêutico é promissor em tratamentos adjuvantes na quimioterapia”, afirmou Lusânia Maria Greggi Antunes, professora associada da FCFRP-USP.
Contexto e relevância
O câncer colorretal é o segundo tipo mais diagnosticado e a segunda principal causa de morte por câncer no mundo. O 5-fluorouracilo é um medicamento que demonstrou melhorar a sobrevida dos pacientes, sendo indicado mesmo em casos metastáticos, em combinação com cirurgia. Já o dissulfeto de dialila é um nutracêutico de baixo custo e fácil disponibilidade, que já apresentou mecanismos antitumorais como inibição do crescimento celular, indução de apoptose e prevenção da angiogênese.
Pesquisas anteriores com o composto
A equipe já havia estudado o dissulfeto de dialila em células de câncer de fígado, o sétimo tipo mais comum e quinta causa de morte por câncer no mundo. Nesse trabalho anterior, publicado na revista Pharmaceutics, o composto foi testado em combinação com o quimioterápico sorafenibe. “O dissulfeto de dialila foi testado em uma linhagem de carcinoma de fígado humano conhecida por sua alta taxa de proliferação e por alterações genéticas que ajudam o tumor a sobreviver. O composto foi capaz de induzir a morte dessas células, inibir sua migração e autofagia, além de alterar a expressão de suas proteínas”, detalhou Antunes. “Quando combinado com o quimioterápico sorafenibe, o composto apresentou efeitos sinérgicos, mostrando-se uma estratégia promissora para o desenvolvimento de novos protocolos clínicos”, acrescentou.
Perspectivas
Os pesquisadores defendem que associar quimioterápicos tradicionais a compostos bioativos de plantas é uma estratégia promissora, especialmente para doenças com opções terapêuticas limitadas. Novos estudos são necessários para confirmar os achados e avaliar a aplicação clínica.