O Grupo dos Sete, conhecido pela sigla G7, é um fórum informal de diálogo e cooperação entre sete das nações mais ricas e influentes do mundo. Sem sede fixa, estrutura administrativa ou carta constitutiva, os chefes de Estado e ministros desses países se reúnem anualmente em uma cúpula para discutir questões globais urgentes. Apesar de influente no cenário político, não se trata de uma organização internacional formal, como a ONU ou a OTAN, por exemplo.
Além dos integrantes do grupo, também participam países convidados, chamados para ampliar as discussões. Já a União Europeia marca presença de forma permanente, representada pelo presidente do Conselho Europeu e pelo presidente da Comissão Europeia.
A reunião de 2026 ocorreu entre os dias 15 e 17 de junho, na cidade de Évian-les-Bains, na França (o país-sede muda a cada ano), e contou com o presidente Lula como convidado.
Entre os temas discutidos estavam o conflito no Irã, a guerra na Ucrânia, a exploração de minerais, entre outros assuntos. A ideia é coordenar políticas entre os países e estabelecer compromissos em torno desses temas.
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O país anfitrião é responsável por definir as prioridades da agenda daquele ano e atua como uma espécie de secretaria temporária do G7. Além da cúpula dos líderes, que dura apenas alguns dias, também ocorrem reuniões entre ministros, bancos centrais e outras entidades ao longo do ano.
Continua após a publicidadeAtualmente, o G7 é composto por Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão, Reino Unido e Estados Unidos – mas nem sempre foi assim.
A história do G7
Tudo começou em 1973, com reuniões informais realizadas na biblioteca da Casa Branca entre os ministros das Finanças dos Estados Unidos, França, Alemanha Ocidental e Reino Unido. Esses encontros ficaram conhecidos como “Grupo da Biblioteca” (Library Group) e eram organizados pelo então secretário do Tesouro americano George Shultz, que acabou ganhando a fama de fundador do grupo.
Pouco depois, ainda em 1973, o Japão foi incluído nas discussões por iniciativa de Shultz.
Naquele momento, os debates eram voltados para questões econômicas, em especial a crise provocada pelo embargo de petróleo imposto pela OPEP a alguns países que haviam apoiado Israel. A medida desencadeou uma crise energética global. Ao mesmo tempo, inflação elevada e desemprego afetavam diversas economias.
Continua após a publicidadeOs Estados Unidos também enfrentavam dificuldades econômicas e sociais. A inflação disparava, enquanto o presidente Richard Nixon adotava medidas desesperadas para conter a crise, como tarifas de 10% sobre produtos importados e o fim da conversão do dólar em ouro.
Diante da gravidade dos problemas discutidos, decidiu-se, em 1975, que as reuniões deveriam contar com a presença dos presidentes e chefes de governo dos países participantes. A presença dessas lideranças permitiria coordenar estratégias de forma mais direta.
A proposta partiu do então presidente francês Valéry Giscard d’Estaing, que anteriormente havia sido ministro das Finanças e participou das reuniões do Grupo da Biblioteca. Ele recebeu apoio do chanceler alemão Helmut Schmidt.
Assim, a França realizou naquele ano o primeiro encontro formal do grupo, que ocorreu na cidade de Rambouillet. O evento inaugurou a entrada da Itália, e o grupo passou a ser chamado de G6.
Continua após a publicidadeAo lado dos líderes estavam também ministros e secretários, encarregados de registrar as discussões. Isso gerou conflitos dentro do grupo sobre quem exatamente deveria participar dos encontros.
Ao final da reunião, os países assinaram a Declaração de Rambouillet, na qual se comprometeram a realizar encontros anuais sob um sistema de presidência rotativa, modelo que continua em vigor até hoje.
Um ano depois, em 1976, o Canadá foi convidado a fazer parte do bloco pelos Estados Unidos – anfitriões da cúpula daquele ano – e o grupo passou a ser conhecido como G7.
A União Europeia começou a participar dos encontros em 1977. Ela, porém, não possui status de membro oficial.
Continua após a publicidadeMas a história não para por aí. Em 1997, poucos anos após o fim da União Soviética, a Rússia foi incorporada ao grupo. O bloco passou então a se chamar G8, simbolizando uma aproximação entre o Ocidente e a Rússia no período pós-Guerra Fria.
Em 1999, criou-se o G20 para complementar a agenda do G7 com discussões mais amplas da economia global, incluindo nações da África, Ásia e América do Sul. Ele era composto pelo G8 mais 12 países, entre eles o Brasil, Argentina, China e África do Sul. Atualmente, ele também funciona como um fórum informal e adota um sistema de presidência rotativa.
A participação da Rússia no G8 terminou em 2014, após a anexação da Crimeia, então parte da Ucrânia, em seu território. O episódio foi condenado pela maioria dos integrantes do grupo, que decidiram suspender a participação russa. Tratava-se da primeira violação de fronteiras na Europa desde a Segunda Guerra Mundial. Com isso, o bloco voltou a ser oficialmente o G7 – e o G20 se tornou o G19.
A decisão foi tomada em março daquele ano, poucos meses antes da cúpula que seria realizada em território russo.
Continua após a publicidadeAo longo do tempo, os temas políticos passaram a ocupar cada vez mais espaço ao lado das questões econômicas. O G7 também se tornou mais estruturado, com negociações mais complexas e agendas amplas.
Ao final de cada cúpula anual, é divulgado um comunicado conjunto reunindo os consensos políticos e compromissos assumidos pelos países participantes. Além disso, cada membro conta com um sherpa, representante pessoal do chefe de Estado, responsável por conduzir negociações ao longo do ano, preparar a agenda da cúpula e ajudar na construção dos acordos que serão discutidos pelos líderes.
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