Como mudanças de Ancelotti com Vini Jr. dão ao Brasil um novo protagonista após 12 anos<?xml encoding="UTF-8">

Desde 2014, a seleção brasileira não tinha um protagonista no nível de Vinicius Júnior. Naquele ano, Neymar marcou quatro gols, todos na fase de grupos; em 2026, Vini igualou a marca, sendo o melhor em campo contra Marrocos, Haiti e Escócia. Também repetiu os feitos de Jairzinho, Romário, Ronaldo e Rivaldo, que marcaram em todos jogos da fase de grupos de um mesmo Mundial.

Este protagonismo de Vini já vinha desde a Copa do Mundo de 2022, mas ficou apagado no ciclo até o Mundial do Canadá, Estados Unidos e México. Com a chegada de Carlo Ancelotti, com quem trabalhou no Real Madrid entre 2021 e 2025, o camisa 7 deu um salto com a Amarelinha, para assumir o protagonismo de uma seleção sem Neymar, sofrendo com lesões nos últimos anos.

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Vini participou diretamente de cinco dos sete gols da seleção brasileira nesta Copa do Mundo. Além de marcar quatro vezes, assistiu o tento de Matheus Cunha na vitória sobre o Haiti, pela segunda rodada do Grupo C. Contra a Escócia, sem Raphinha, com lesão muscular na coxa, ele ainda precisou assumir a responsabilidade ao se tornar a referência no ataque da seleção brasileira.

Vinícius Júnior celebra gol do Brasil contra a EscóciaVinícius Júnior celebra gol do Brasil contra a Escócia. Foto: IMAGO / Brazil Photo Press

Evolução de Vini Jr. passa por mudança de Ancelotti na seleção brasileira

Este salto de Vini Jr, depois de dois amistosos ruins em março, contra Croácia e França, passa por Ancelotti. O treinador da seleção brasileira afirmou, repetidas vezes, que prefere dar liberdade aos atacantes, sem imputar muitas ideias nos treinamentos — estes que são centrados, principalmente, nos aspectos defensivos da equipe. Desde maio, o camisa 7 ganhou essa liberdade na ponta, capaz de flutuar entre as linhas e no campo.

A exibição de Vini Jr. nesta quinta-feira (24), na vitória por 3 a 0, foi a sua melhor nesta Copa do Mundo até aqui. Sem Raphinha, ele pôde ter ainda mais liberdade para atuar centralizado, e até mesmo pela direita — setor do qual o atacante do Barcelona ficou encarregado contra Haiti e Marrocos.

— Sou atacante, mas jogo também pelo lado, não costumo fazer tantos gols. Nesta Copa, o Mister mudou minha posição, onde consigo me adaptar muito bem, fazer os gols e ajudar a equipe, que é o mais importante — afirmou o atacante, à “CazéTV”, após a partida.

imagePosicionamento da seleção brasileira contra a Escócia, com destaque para Vini Jr, camisa 7, no ataque (Foto: Reprodução/Opta)

Pela distribuição dos jogadores em campo, é possível perceber que o Brasil passou a atuar em função de Vini Jr. O atacante é o jogador mais avançado em campo, e a própria equipe se movimenta em direção à ponta-esquerda.

Os dois gols marcados pelo camisa 7 surgem desta movimentação. No primeiro, Rayan força o erro da defesa escocesa e Vini Jr, centralizado, fica com o rebote; no segundo, o atacante consegue vencer a disputa da bola aérea na pequena área para vencer o goleiro Gunn — algo pouco comum em sua carreira.

Não tinha dúvidas de como ele poderia chegar nessa Copa. É uma honra para ele jogar pela seleção. Não sou eu quem vou descobrir o Vini, para mim ele é um ‘top’, um dos melhores do mundo — afirmou Ancelotti sobre o atacante, em entrevista coletiva após a partida.

Seleção brasileira volta a ter um protagonista desde Neymar na Copa do Mundo

Vini, a depender da campanha da seleção na Copa do Mundo, está no caminho para superar as marcas individuais de Ronaldo na Copa do Mundo de 2002. Naquela ocasião, o Fenômeno marcou oito gols em sete jogos até o penta. O camisa 7, em 2026, já marcou quatro vezes, e disputa a artilharia do torneio ao lado de Kylian Mbappé e Erling Haaland, com quatro gols cada, e Lionel Messi, com cinco.

O atacante do Real Madrid também assume o protagonismo deixado por Neymar. Desde 2010, com Mano Menezes, o camisa 10 é o centro das atenções da seleção brasileira. Individualmente, teve em 2014 seu melhor desempenho; em 2018 e 2022, com dois gols em cada edição, não conseguiu levar o Brasil além das quartas de final.

Neymar voltou a disputar uma camisa pela seleção contra a Escócia, após 918 dias. Mesmo assim, ele não assumirá a responsabilidade no ataque, que neste momento tem Vini Jr. e Matheus Cunha como destaques, mas pode servir para potencializar o setor durante o mata-mata. Principalmente o trabalho do camisa 7.

Vinícius Júnior comemora gol do Brasil diante da EscóciaVinícius Júnior comemora gol do Brasil diante da Escócia. Foto: IMAGO / Craig Mercer

— Ele (Vini Jr) está em uma condição muito boa. A equipe o permite descansar quando tem a bola, e fica mais fresco quando tem a bola. O feito de alternar a posição, por dentro e aberto, é uma vantagem para ele — reforçou Ancelotti.

Com cinco gols em Copas do Mundo, Vini igualou os números de Garrincha, Zico e Romário. Ainda que não goste de exaltar estas marcas, como ele mesmo reforçou após a partida, são elas que ajudam a dar dimensão do seu próprio desempenho ao longo deste Mundial.

O Brasil agora volta a campo na próxima segunda-feira (29), às 14h (de Brasília), no Estádio de Houston, no Texas, pelo confronto dos 16-avos de final, ainda sem um adversário definido. Japão, Países Baixos e Suécia são os possíveis adversários do Grupo F. Aquela que terminar na segunda posição, atualmente ocupada pelos japoneses, será o rival da seleção brasileira.