Com o aumento de ataques cibernéticos no Brasil e a intensificação da fiscalização pela Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), empresas de todos os portes enfrentam um dilema nas áreas de tecnologia: como implementar um programa de compliance digital sem que as regras de segurança se tornem um obstáculo para a inovação?
Segundo especialistas, a solução está menos nas regras em si e mais na forma como elas são desenhadas e incorporadas ao fluxo de trabalho. Ricardo Maravalhas, CEO e fundador da DPOnet, afirma que “o compliance digital moderno não foi feito para ser um freio de mão para os negócios, mas sim o cinto de segurança”. Para ele, quem aprende a inovar com responsabilidade ganha a confiança do mercado e escala de forma sustentável.
Cinco caminhos para equilibrar proteção de dados e agilidade
Maravalhas aponta cinco práticas para equilibrar proteção de dados e agilidade operacional:
1. Compliance by design
Incluir a equipe de privacidade apenas quando o produto já está pronto é um dos erros mais comuns e caros. O conceito de compliance by design propõe pensar nas regras desde o primeiro dia do projeto, antes de qualquer linha de código ou decisão de arquitetura. Isso reduz retrabalho e evita gastos corretivos, que tendem a ser maiores quanto mais tarde aparecem.
2. Automação de processos
Processos manuais de checagem de dados consomem tempo que poderia ser dedicado ao desenvolvimento. Ferramentas que automatizam a verificação de conformidade e geram relatórios sem intervenção humana reduzem a carga de trabalho e diminuem a margem de erro. Para Maravalhas, o compliance digital bem estruturado usa tecnologia para se sustentar, não para criar mais burocracia.
3. Uso de sandboxes
Testar novas ferramentas de inteligência artificial ou soluções experimentais sem expor dados reais é possível com o uso de sandboxes, ambientes isolados que simulam condições reais com informações fictícias. A prática dá liberdade para errar e ajustar soluções sem colocar a operação ou os dados dos clientes em risco, resultando em mais inovação com menos exposição.
4. Critérios claros de risco
Bloquear o acesso a ferramentas que a equipe quer usar tende a gerar contornos informais, o que é pior para a segurança. Uma abordagem mais eficaz é definir critérios claros de risco: se uma solução apresenta vulnerabilidades, o time recebe orientações sobre quais camadas de proteção (como criptografia ou autenticação em dois fatores) precisam ser ativadas para que o uso seja aprovado. Essa lógica substitui o “não pode” por “como fazer”.
5. Treinamentos focados na rotina
Palestras longas sobre legislação de proteção de dados raramente mudam comportamento. Treinamentos curtos, focados na rotina de quem desenvolve produtos, têm resultado mais consistente. Quando os times entendem o motivo por trás das regras e reconhecem situações do dia a dia nos exemplos, a adesão às boas práticas tende a acontecer de forma mais natural e contínua.
Com informações de CartaCapital.