Quando assumiu o cargo de primeira-ministra da Finlândia, em dezembro de 2019, Sanna Marin, líder do Partido Social-Democrata finlandês, tornou-se a mais jovem chefe de governo do mundo. Ela tinha apenas 34 anos.
Nascida em 16 de novembro de 1985, em Helsinque, Marin cresceu na cidade de Tampere e foi criada pela mãe e sua companheira.
Segundo ela, a família tinha renda modesta, e Marin foi a primeira a ingressar em uma universidade.
Formada em Ciências Administrativas pela Universidade de Tampere, entrou em contato com a política durante a fase acadêmica e se filiou ao Partido Social-Democrata da Finlândia no início dos anos 2000.
Seu primeiro grande cargo foi como presidente do Conselho Municipal de Tampere, cidade onde cresceu, aos 27 anos.
Já em 2015, foi eleita para o Parlamento finlandês e, em 2019, assumiu o Ministério dos Transportes e Comunicações.

A ex-Primeira Ministra da Finlândia, Sanna Marin. Créditos: Wikipedia
A chegada de Marin ao cargo de primeira-ministra da Finlândia ocorreu quando seu antecessor, o social-democrata Antti Rinne, renunciou ao cargo, em dezembro de 2019, após perder o apoio do Partido do Centro, parceiro da coalizão governista.
Rinne havia sido acusado de fornecer informações falsas sobre os contratos de trabalho de 700 operadores do serviço postal finlandês, que acabaram recebendo salários menores do que o esperado. O setor não recebia aumento na folha de pagamentos desde 2016, o que contribuiu para o início de uma greve que se espalhou por diferentes categorias sindicais.
O escândalo fez com que Rinne desse lugar a um novo nome para chefiar o Executivo. E o nome escolhido foi o de Marin, que venceu a disputa interna do Partido Social-Democrata e passou a liderar uma coalizão formada por cinco legendas partidárias.
Um dos aspectos mais comentados da posse de Marin foi a composição política da coalizão governista, cujos partidos eram, em sua maioria, liderados por mulheres jovens.
No Partido do Centro, a líder era Katri Kulmuni, com apenas 32 anos à época; na Aliança de Esquerda, Li Andersson, também com 32 anos; na Liga Verde, Maria Ohisalo, de 34 anos; e, no Partido Popular Sueco da Finlândia, Anna-Maja Henriksson, a mais velha entre elas, com 55 anos.
A imagem de cinco mulheres comandando a coalizão chamou a atenção da imprensa internacional e foi apontada como um marco do avanço da participação feminina na política dos países nórdicos.
Ao assumir oficialmente o cargo, em dezembro de 2019, Marin tornou-se a primeira-ministra mais jovem em exercício no mundo (título que foi superado em 2020, pelo político austríaco Sebastian Kurz), além de ser a primeira-ministra mais jovem da história da Finlândia e a terceira mulher a ocupar o posto no país.
Ao longo de seu mandato, ela enfrentou críticas ligadas ao gênero, principalmente devido a uma sessão de fotos em outubro de 2020, quando posou para a revista de moda finlandesa Trendi vestindo um blazer preto sem camisa por baixo, e por vídeos vazados de festas privadas.
Marin foi considerada pela Australian Broadcasting Corporation “o ícone da liderança progressista” da Finlândia.
O modelo finlandês, considerado um dos de maior mobilidade social do mundo e com alguns dos melhores indicadores educacionais internacionais, é baseado no Estado de bem-estar social, financiado por impostos elevados que garantem serviços públicos gratuitos ou amplamente subsidiados.
O país é conhecido pelo sistema de saúde universal, com taxas reduzidas para os usuários, e pela educação gratuita em todos os níveis.
Entre 2017 e 2018, a Finlândia também foi palco de um programa piloto conduzido pela instituição responsável pela seguridade social do país, que testou a concessão de uma renda básica universal de 560 euros mensais para seus beneficiários.
Duas mil pessoas participaram da iniciativa, considerada a primeira experiência em escala nacional na Europa a oferecer uma renda mínima incondicional, isto é, sem exigência de contrapartidas ou critérios relacionados à busca de emprego.