Em uma coluna publicada na Folha de S.Paulo, a advogada, escritora e dramaturga, autora de 'Caos e Amor', faz uma comparação entre a popularidade dos jogadores da seleção brasileira de futebol e a dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo a autora, em 1994 ela sabia de cor a escalação da seleção brasileira, incluindo titulares, reservas e até o goleiro reserva. Naquela época, o STF era mencionado apenas nas aulas de direito da PUC, como assunto de prova, não de conversas informais. Hoje, ela afirma não saber o nome da metade dos jogadores da seleção, mas conhece os dez ministros do STF com nome, sobrenome e estilo de jogo, e até discute quem deve ocupar a vaga deixada por aposentadoria.
A colunista observa que, antes, as pessoas se reuniam em bares para ver jogos e discutir futebol; agora, a disputa mudou para julgamentos ao vivo e o placar de votos no STF. Ela sugere, de forma irônica, que a Panini poderia lançar um álbum de figurinhas dos ministros, intitulado 'O STF Futebol Clube 2026 Edição Especial', em referência a uma expressão atribuída ao ministro Flávio Dino.
A autora reconhece que o STF tem um papel essencial na defesa dos direitos fundamentais e na proteção da democracia, especialmente ao barrar a tentativa de ruptura institucional de 2023. No entanto, ela alerta para o risco de a instituição, ao se tornar protagonista, apitar a favor do próprio placar. 'Quem atua em causa própria deixa de ser o guardião da Lei Maior para virar parte do jogo', escreve.
Ela conclui que, no futebol, os jogadores não apitam o jogo nem escolhem o adversário; na República, a bola rolando também deve respeitar as linhas. 'A falta de freios cria um poder absoluto — um gol contra da democracia', afirma. A colunista defende que não é necessário saber o nome dos ministros, mas sim ter a tranquilidade de que a Justiça, de olhos vendados, protege os torcedores do Brasil.
Com informações de Folha — Cotidiano.