Colonos israelenses incendiaram duas mesquitas na Cisjordânia na madrugada desta quarta-feira (17), segundo autoridades palestinas. A Agência France-Presse (AFP) confirmou os danos em um dos locais. O Exército israelense, que ocupa o território desde 1967, condenou veementemente os incidentes e informou ter aberto uma investigação.
Incêndios em Jiljiliya e Al Mazra al Nubani
Em Jiljiliya, a cerca de dez quilômetros ao norte de Ramallah, uma equipe da AFP constatou indícios de incêndio e vandalismo. Nas paredes carbonizadas, foram encontradas inscrições em hebraico, como 'Vingança', 'A noite das mesquitas' e 'Saudação dos Hilltop Youth' — este último referindo-se a um movimento de jovens colonos extremistas. Osama Abdula, representante do conselho local, afirmou que os colonos incendiaram o salão de abluções, danificaram a mesquita principal e escreveram mensagens hostis. Segundo ele, o grupo chegou de madrugada e, com a porta fechada, ateou fogo ao salão no térreo. A Defesa Civil palestina, auxiliada por moradores, conseguiu controlar as chamas.

O segundo incêndio ocorreu na vizinha Al Mazra al Nubani, a menos de dez quilômetros de distância. O prefeito Saad Dagher relatou que um pequeno grupo de colonos lançou um coquetel molotov contra a mesquita Al Faruk Umar ibn al Jattab e fugiu quando os habitantes saíram de suas casas. 'Tentaram incendiá-la, mas o fogo atingiu apenas uma parte do edifício', explicou Dagher, destacando que foi o primeiro ataque contra uma mesquita na localidade, embora já houvesse ocorrido atos de vandalismo contra residências e instalações agrícolas.
Reações e contexto
Os ataques foram condenados pelo Ministério de Assuntos Religiosos palestino e pelo movimento islamista Hamas, que governa a Faixa de Gaza desde 2007. Na Cisjordânia, onde vivem cerca de três milhões de palestinos, mais de 500 mil israelenses residem em assentamentos considerados ilegais pela Organização das Nações Unidas (ONU). Dados divulgados na semana passada pela ONU indicam que a violência dos colonos israelenses na região atingiu um ritmo 'recorde', com uma média de seis ataques diários.
