A seleção da Colômbia chega à Copa do Mundo de 2026 cercada por expectativas justificáveis. Após ficar fora do Mundial de 2022, a equipe encontrou no técnico Néstor Lorenzo o responsável por reconstruir sua identidade competitiva. O progresso foi claro: terceiro lugar nas Eliminatórias Sul-Americanas, atrás apenas de Argentina e Equador, uma sequência de 25 partidas sem derrota e o melhor futebol da última Copa América, apesar da perda do título para a Argentina na final.
O time colombiano alia organização tática, intensidade na marcação e muita velocidade nas transições ofensivas. Alternando entre os esquemas 4-5-1 e 4-3-3, Lorenzo montou uma equipe que pressiona forte no meio-campo, protege bem as laterais e explora com eficiência o talento de seus jogadores de frente. O contra-ataque se tornou uma das principais armas, especialmente pela capacidade de acelerar o jogo imediatamente após recuperar a posse de bola.
Nesse contexto, James Rodríguez voltou a exercer um papel de protagonista. Mais do que números, sua importância está na capacidade de dar sentido ao jogo ofensivo colombiano. É ele quem organiza os ataques, encontra espaços onde poucos enxergam e oferece a criatividade necessária para transformar domínio territorial em oportunidades concretas. A Copa América foi a maior demonstração de sua influência, conduzindo a equipe com personalidade e qualidade técnica em momentos decisivos. O James da seleção segue atuando em alto nível, mesmo que tenha perdido rendimento em clubes há alguns anos.
James é fundamental, mas o melhor jogador da seleção é Luis Díaz. O ponta-esquerda reúne velocidade, explosão, drible, imprevisibilidade e capacidade de definição em um nível que nenhum outro colombiano alcança atualmente. Sua presença altera completamente a dinâmica ofensiva da equipe. Quando recebe a bola, obriga as defesas adversárias a recuar, cria superioridade numérica e abre espaços para que os demais jogadores participem da construção das jogadas. Existe uma diferença perceptível entre a Colômbia com Luis Díaz em campo e a equipe sem ele, o que evidencia sua relevância dentro do projeto de Lorenzo.
James organiza, acelera o pensamento coletivo e potencializa os companheiros; Díaz é quem desequilibra, rompe linhas e muda o rumo das partidas. Hoje, a força da Colômbia nasce justamente da combinação entre os dois. Se houver uma preocupação para o futuro, ela não está na influência de James, mas na falta de um jogador capaz de reproduzir o impacto que Luis Díaz exerce quando está em seu melhor nível.
Apesar da evolução evidente, a reta final das Eliminatórias trouxe alguns questionamentos. A sequência de seis partidas sem vitória mostrou que a seleção ainda encontra dificuldades quando enfrenta adversários capazes de neutralizar suas transições rápidas. As derrotas para Uruguai, Equador e Brasil, seguidas pelos empates contra Paraguai, Peru e Argentina, expuseram momentos de menor criatividade e perda de intensidade.
O cenário da fase de grupos também parece favorável para os colombianos. Embora tenha pela frente Portugal, uma seleção com condição de título, na terceira rodada, a Colômbia possui qualidade técnica, experiência e repertório coletivo suficientes para somar, pelo menos, os seis pontos diante de Uzbequistão e Congo. E, quem sabe, até endurecer diante da seleção de Cristiano Ronaldo. Pela consistência demonstrada nos últimos anos, seria uma surpresa vê-la ficar pelo caminho ainda na primeira fase. O verdadeiro teste para as ambições colombianas deve começar a partir da segunda fase, onde o talento de James Rodríguez, o poder de decisão de Luis Díaz e a solidez do trabalho de Néstor Lorenzo serão colocados à prova diante da elite do futebol mundial.
Com informações de ge — Globo Esporte.