A Colômbia realiza no domingo (21) o segundo turno das eleições presidenciais para definir o sucessor do presidente Gustavo Petro. A disputa opõe o senador de esquerda Iván Cepeda, do partido Pacto Histórico, e o advogado de extrema-direita Abelardo De la Espriella, do movimento Defensores da Pátria. Pesquisas eleitorais apontam vantagem de 3 a 8 pontos percentuais para De la Espriella.
Como a Constituição colombiana não permite reeleição presidencial, Petro deixará o cargo após cumprir o mandato iniciado em 2022. O segundo turno ocorre em um contexto de divergências profundas sobre segurança pública, conflito armado, política externa e reformas sociais.

Propostas opostas para segurança e diálogo
Iván Cepeda defende a continuidade das políticas do governo Petro, com ênfase no diálogo com grupos armados. Já Abelardo De la Espriella promete uma ofensiva militar contra guerrilhas e rejeita qualquer negociação. O candidato de extrema-direita também propõe a saída da Colômbia de organismos internacionais como a Organização das Nações Unidas (ONU) e a Organização dos Estados Americanos (OEA), que, segundo ele, promovem "políticas de esquerda".
Trajetória de Iván Cepeda: paz e embate jurídico
Cepeda, de 63 anos, é filósofo e senador. Ganhou destaque ao mediar as negociações de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), que resultaram no acordo de 2016. Apesar do desarmamento das Farc, dissidências da guerrilha permanecem ativas e são apontadas como responsáveis por parte da violência no país. Na campanha, o candidato sustenta que o diálogo é o caminho para encerrar o conflito armado.

O senador também esteve no centro de um processo judicial contra o ex-presidente Álvaro Uribe. Em 2012, Uribe acusou Cepeda de montar um complô para ligá-lo a paramilitares. Seis anos depois, a Justiça concluiu que Cepeda agiu dentro de sua função parlamentar e que Uribe tentou influenciar testemunhas. Em 2025, o Tribunal Superior de Bogotá absolveu Uribe das acusações de suborno e fraude processual. Entre suas propostas, Cepeda defende aumento do salário mínimo, redução de benefícios para congressistas e reforma agrária.
Abelardo De la Espriella: linha dura e polêmicas
De la Espriella, de 47 anos, construiu sua campanha com discurso de ultradireita. Conhecido como "El Tigre", ele admira líderes como Donald Trump e Nayib Bukele. Rejeita a negociação com guerrilhas e promete ação militar. Dois integrantes de sua campanha foram mortos a tiros em 15 de maio; o candidato acusou a inteligência colombiana de participar de um plano para assassiná-lo.
Além da política, De la Espriella mantém o site "De la Espriella Style", onde vende bebidas alcoólicas, livros, músicas e roupas com sua própria imagem. Ele também enfrentou questionamentos por ter defendido o empresário Alex Saab, acusado pelo governo dos EUA de ser laranja de Nicolás Maduro. O candidato afirma que a relação profissional começou antes das acusações e terminou há seis anos.