A colisão entre dois helicópteros na manhã deste domingo (14) no Rio de Janeiro resultou na morte de seis pessoas, todas tripulantes, conforme informou o Corpo de Bombeiros. O acidente ocorreu na Avenida das Américas, altura do Recreio dos Bandeirantes, zona sudoeste da cidade, e as aeronaves caíram sobre o estacionamento de uma concessionária da BYD, especializada em veículos elétricos.
Vítimas
Morreram os pilotos Alexandre Souza e Charles Marsilac, além dos passageiros Gaspar Prim, Lucas Brito Chaves Frota, Lucas Vignale e Oliver Tree. Com exceção de Marsilac, todos estavam no helicóptero que tinha como destino Angra dos Reis e que havia acabado de decolar. O outro helicóptero, pilotado por Marsilac, havia partido do aeroporto Santos Dumont e seguia para a região serrana para buscar passageiros.

Detalhes do acidente
Os bombeiros foram acionados às 8h59. Moradores relataram ter ouvido uma explosão e visto algo caindo do céu, seguido de fumaça. O porta-voz da corporação, Fábio Contreiras, afirmou que 15 veículos que estavam no pátio foram incendiados e outros cinco sofreram danos. As aeronaves caíram a cerca de cem metros de distância uma da outra, e uma delas, onde estavam cinco vítimas, pegou fogo. Peças foram encontradas a centenas de metros do local.
Contreiras destacou a complexidade do incêndio devido às baterias dos veículos elétricos: “Libera uma quantidade de calor muito intensa, além de gases muito tóxicos. Geralmente, em veículos elétricos utilizamos de 3 a 4 vezes a quantidade de água que usaríamos no não elétrico”.
Investigação
O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), da Força Aérea Brasileira (FAB), apura as causas do acidente. Os helicópteros, de matrículas PP-MAC (Bell 206B, fabricado em 1999) e PR-DJJ (AS 350 B2, de 2012), estavam com situação normal de aeronavegabilidade, mas não possuíam autorização para operar como táxi aéreo. A Polícia Civil também investiga. O delegado Alan Luxardo, em entrevista à GloboNews, afirmou que a colisão pode ter ocorrido por falha humana. “Estamos apurando a causa; a princípio, parece que houve uma falha humana”, disse.
Reações das autoridades
O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Cavaliere (PSD), classificou o acidente como “fatalidade” e “tragédia”. Ele afirmou que os pilotos eram experientes e instrutores de formação. “Estamos falando de dois pilotos muito experientes, com muitas horas de voo, com uma longa carreira. Inclusive os dois instrutores de formação de outros pilotos”, declarou. O governador em exercício, desembargador Ricardo Couto, manifestou condolências aos familiares das vítimas. A BYD informou que presta apoio às autoridades e expressou solidariedade.
Relato de moradora
Jeane Canivello, 62, aposentada que mora no Recreio, afirmou que helicópteros costumam voar muito próximos na região. “Toda hora passa um helicóptero para lá e para cá, e passa um muito próximo ao outro. Ontem mesmo, antes disso acontecer, foi um do ladinho do outro”, relatou. Ela disse ter ouvido uma explosão e inicialmente pensou que fosse uma batida de caminhão. “Achei esquisito lá em casa. E, quando fui olhar, tinha uma fumaça preta, mas, como tem muitas queimadas por ali, eu não me dei conta que poderia ter sido isso”, completou.
Contexto e especialistas
O porta-voz dos bombeiros observou um aumento de acidentes com helicópteros na região da Barra da Tijuca e Recreio. “A gente está se preparando cada vez mais para atender a esse aumento de fluxo de aeronaves”, disse. O tráfego de helicópteros ocorre por corredores visuais definidos pelo Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea). Raul Marinho, diretor-técnico da Associação Brasileira de Aviação Geral (ABAG), explicou que essas rotas funcionam como “avenidas virtuais”, com mão e contramão.
Perfil das vítimas
Oliver Tree era um cantor norte-americano que se apresentou em São Paulo em 6 de junho e iniciava uma turnê mundial. Sua conta no Instagram tem mais de 2 milhões de seguidores e, no Spotify, soma 11,4 milhões de ouvintes mensais. O consulado dos EUA no Rio presta assistência aos familiares. Lucas Frota era produtor musical e DJ brasileiro radicado nos Estados Unidos. Gaspar Prim (Gaspi) era influenciador argentino com 2,8 milhões de seguidores no YouTube. Lucas Vignale era cineasta argentino, cujo último filme foi exibido no Festival de Berlim. Charles Marsillac, piloto do segundo helicóptero, ingressou na aviação em 2007 após carreira musical, com composições em trilhas de novelas e colaborações com artistas como Cidade Negra e Monobloco.
Na noite de domingo, o corpo do piloto Alexandre Souza foi o primeiro a ser liberado pelo Instituto Médico Legal (IML). Os demais corpos permaneciam no instituto.