Dois helicópteros colidiram no ar na manhã de domingo (14) e caíram no pátio de uma concessionária da BYD no Recreio dos Bandeirantes, zona sudoeste do Rio de Janeiro. O acidente matou todas as seis pessoas que estavam a bordo das duas aeronaves. Entre as vítimas estão o cantor americano Oliver Tree, que estava em turnê internacional, artistas e influenciadores estrangeiros, além de dois pilotos experientes.
O Corpo de Bombeiros foi acionado às 8h59. Moradores da região relataram ter ouvido uma explosão e visto algo caindo do céu seguido por fumaça. A queda ocorreu na Avenida das Américas, na altura do Recreio. Ambas as aeronaves caíram no estacionamento da concessionária, a cerca de cem metros de distância uma da outra. Peças dos helicópteros foram encontradas a centenas de metros do local.

Vítimas do acidente
Seis pessoas morreram, sendo cinco em uma das aeronaves. As vítimas são:
- Alexandre Souza — piloto de um dos helicópteros;
- Charles Marsilac — piloto do outro helicóptero, carioca, ingressou na aviação profissional em 2007 e teve carreira na música, com composições na trilha de "Malhação" e colaborações com Cidade Negra e Monobloco;
- Oliver Tree — cantor americano em turnê internacional, que se apresentou em São Paulo no dia 6;
- Lucas Brito Chaves Frota — produtor musical e DJ brasileiro que morava nos Estados Unidos, enteado do desembargador Elton Leme, ex-presidente do TRE-RJ;
- Gaspar Prim (Gaspi) — influenciador digital e humorista argentino;
- Lucas Vignale — cineasta argentino que dirigia os vídeos de Gaspi e teve um longa-metragem exibido no Festival de Berlim de 2026.
Dinâmica do voo e relatos
O helicóptero pilotado por Alexandre Souza transportava os quatro passageiros (Oliver Tree, Lucas Frota, Gaspi e Lucas Vignale) e havia acabado de decolar com destino a Angra dos Reis, no litoral fluminense. A outra aeronave, pilotada por Charles Marsillac, decolou do Aeroporto Santos Dumont e seguia para a região serrana do Rio, onde buscaria passageiros.

O produtor musical Victor Wao relatou em redes sociais que deveria estar no voo para Angra dos Reis, mas desistiu no último segundo por medo. O amigo Lucas Frota ofereceu a ele a opção de ir de carro, e outra pessoa ocupou a vaga na aeronave.
Danos materiais e combate a incêndio
O impacto causou um incêndio de grandes proporções, agravado pelas baterias dos veículos elétricos da concessionária. Segundo o Corpo de Bombeiros, 15 carros foram incendiados e outros cinco foram danificados. Foram necessários de três a quatro vezes mais água do que o normal devido à intensidade do calor e aos gases tóxicos liberados pelas baterias. Um dos helicópteros também pegou fogo.
Situação das aeronaves e irregularidades
As duas aeronaves estavam com a situação de aeronavegabilidade normal, porém nenhuma tinha autorização para operar como táxi aéreo. Os modelos são:
- Prefixo PP-MAC: Bell 206B, fabricado em 1999 (aeronave que levava o grupo de artistas);
- Prefixo PR-DJJ: AS 350 B2, fabricado em 2012 (aeronave pilotada por Charles Marsillac).
O helicóptero de prefixo PR-DJJ operava em um esquema considerado irregular pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). O proprietário, Maurício da Cunha e Silva Espíndola Dias, havia assinado em abril de 2025 um termo de compromisso com o Centro de Operações e Resiliência da prefeitura. O acordo previa uma permuta: o empresário cedia uma hora de voo ao município a cada 24 pousos no heliponto público da Lagoa Rodrigo de Freitas (ou a cada 60 dias). Como o helicóptero é registrado na categoria TPP (Transporte Privado de Pessoas), a Anac afirmou que a aeronave não poderia receber qualquer tipo de compensação econômica ou comercial (direta ou indireta) para realizar voos. A agência informou que está avaliando a legalidade da permuta, modelo que a gestão municipal mantém com vários operadores. O voo do acidente, contudo, não tinha relação com o serviço da prefeitura.
Investigação e contexto
O acidente é investigado pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), da Força Aérea Brasileira, e pela Polícia Civil. A linha inicial de apuração aponta para a suspeita de colisão no ar decorrente de falha humana de pelo menos um dos pilotos. O prefeito do Rio, Eduardo Cavaliere (PSD), disse que os dois pilotos eram profissionais altamente experientes, com longas carreiras e que atuavam como instrutores de voo, definindo o caso como uma fatalidade.
Especialistas apontam que o tráfego local ocorre por corredores visuais do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), que funcionam como "avenidas virtuais" com mãos e contramãos definidas. Moradores do Recreio dos Bandeirantes relataram que as aeronaves costumam voar muito próximas umas das outras na região. O Corpo de Bombeiros confirmou que tem notado um aumento no fluxo e no número de acidentes com helicópteros na região da Barra da Tijuca e do Recreio, exigindo maior preparação dos órgãos de resgate.