Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) tornados públicos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na terça-feira (16) apontam que dois deputados federais do Piauí pagaram faturas de cartões de crédito do senador Ciro Nogueira (PP-PI). As movimentações financeiras, ocorridas em junho de 2024, somam R$ 17 mil.
De acordo com o Coaf, os pagamentos “podem configurar artifício para burla da identificação da origem/destino e do responsável/beneficiário final dos recursos”. O documento integra a investigação sobre a relação de Ciro Nogueira com o Banco Master, que tramita no STF sob relatoria do ministro André Mendonça.

Pagamentos de deputados aliados
As faturas quitadas foram de cartões do senador emitidos pelo Banco de Brasília (BRB). Júlio Arcoverde (PP-PI) pagou uma conta de R$ 13,6 mil, enquanto Átila Lira (PP-PI) quitou outra de R$ 3,4 mil. O relatório do Coaf não especifica, no trecho divulgado, a origem final dos recursos empregados nas operações.
Os dois deputados são aliados políticos de Ciro Nogueira, que também é filiado ao PP. O senador, os deputados e o banco foram procurados para comentar, mas não houve manifestação registrada até a publicação da informação. O espaço permanece em aberto.
Investigação sobre o Banco Master
A apuração no STF mira a relação de Ciro Nogueira com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. As investigações apontam que o senador teria recebido benefícios de Vorcaro, incluindo pagamento de valores, viagens e empréstimo de apartamentos. Ciro Nogueira mantinha relação de amizade com o banqueiro, conforme os autos.
O senador também apresentou uma emenda que beneficiaria a instituição financeira, ampliando o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). A proposta elevaria a cobertura de R$ 250 mil para R$ 1 milhão. O FGC garante depósitos e investimentos em caso de problemas em instituições financeiras, dentro dos limites definidos pelas regras do sistema.