A presença do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), do advogado-geral da União, Jorge Messias, e do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), na Marcha para Jesus, realizada na manhã de quinta-feira (4) em São Paulo, foi marcada por um clima de tensão nos bastidores. Os três chegaram a estar no mesmo trio elétrico durante parte do percurso, mas evitaram qualquer interação.
Segundo o site Metrópoles, relatos de lideranças evangélicas presentes indicam que Mendonça fez questão de se afastar quando Flávio subiu ao trio. De acordo com três fontes ouvidas sob reserva, o ministro se posicionou em outra área do veículo para evitar proximidade com o senador, que é pré-candidato à Presidência da República. Embora tenha sido indicado ao STF pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, Mendonça nunca teve relação próxima com Flávio.
Messias adotou postura semelhante. Testemunhas afirmam que o advogado-geral da União se movimentou para não cruzar com Flávio nem precisar cumprimentá-lo. A quem perguntou, Messias disse que nem sequer viu o filho mais velho de Bolsonaro. No entanto, o ministro de Lula não evitou todos os políticos de direita: segundo relatos, cumprimentou o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que também participou do evento.
O distanciamento em relação a Flávio não foi o único ponto em comum entre Messias e Mendonça. Ambos limitaram sua participação ao desfile no trio elétrico e não subiram ao palco principal, montado para discursos e apresentações que encerraram a marcha. Aliados afirmam que a decisão foi tomada para evitar que a presença fosse interpretada como exploração política do evento religioso.
Messias também criticou Flávio por usar a marcha para manifestações políticas. Questionado sobre a fala do senador, que disse ao microfone do trio que “o mundo do mal vai ser expulso do governo neste ano”, o advogado-geral da União declarou ao jornal O Globo: “Hoje é o dia de louvar e adorar a Deus. As pessoas estão aqui buscando a palavra de Deus, louvar e adorar. Hoje não é dia de comício.”
O ministro afirmou que compareceu ao evento com o objetivo de participar da celebração religiosa. “Eu vim aqui com esse espírito. E as pessoas que estão aqui também estão com esse espírito. Eu acho que, na Marcha para Jesus, tem espaço para todas as pessoas. Jesus sentava à mesa com gentios e judeus”, disse. Ao comentar a presença de diferentes correntes políticas, Messias evitou confronto direto: “Eu acho que as pessoas vão julgar o comportamento e a declaração de todos que estão aqui. Não sou eu que vou julgar. Jesus nos ensina a não julgar.”
Com informações de Diário do Centro do Mundo.