O governo dos Estados Unidos classificou o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. A medida, tomada sem consulta ao Brasil, foi criticada pelo senador Humberto Costa (PT), que a considerou uma imposição unilateral com potencial de ameaçar a soberania brasileira.
Críticas à decisão americana
Segundo o senador — que é ex-ministro da Saúde, atual secretário de Relações Internacionais do PT e vice-presidente do Parlasul —, a classificação não respeita a legislação nacional nem as instituições do país. Ele afirmou que o Brasil combate essas facções há décadas por meio de suas polícias, Ministério Público e Judiciário, independentemente de decisões estrangeiras. “O Brasil não precisa de lição de moral de ninguém quando o assunto é o combate ao crime organizado”, declarou.

Para o parlamentar, a ação dos EUA pode gerar consequências concretas, como a redução do compartilhamento de informações entre as forças de segurança brasileiras e norte-americanas, além de operações descoordenadas que coloquem vidas em risco. Ele alertou que medidas unilaterais como essa fragilizam a confiança e a cooperação bilateral.
Críticas à oposição e defesa da PEC
Costa também mencionou que integrantes da família Bolsonaro viajaram aos Estados Unidos para defender intervenção estrangeira no Brasil, o que classificou como “afronta à soberania nacional e traição à Pátria”. Ele associou o grupo às milícias do Rio de Janeiro e criticou a postura de “vassalagem” durante o governo anterior.
Em contraponto, o senador destacou que o presidente Lula enviou ao Congresso a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, que visa coordenar as forças de segurança no combate ao crime organizado. Afirmou que a oposição, que apoiaria a ingerência externa, rejeita a solução soberana proposta pelo governo federal.
“O Brasil é grande demais, tem história demais, tem povo demais para curvar a cabeça diante de decisões tomadas sem o nosso consentimento”, escreveu o senador. Ele defendeu a cooperação internacional baseada no respeito mútuo e na soberania, e concluiu: “Soberania não se barganha. Não se entrega. E não se negocia com ninguém.”
Com informações de Brasil de Fato — leia a matéria original.