Uma equipe de cientistas japoneses, liderada pelo professor Takashi Tsuji, afirmou ter conseguido recriar em camundongos o ciclo completo de crescimento dos fios de cabelo, incluindo as fases de crescimento, queda e regeneração natural. O estudo, descrito pelos pesquisadores como um "grande avanço", pode representar um passo importante no tratamento da queda capilar em humanos.
De acordo com os cientistas, o principal diferencial da pesquisa foi a identificação de um novo tipo de célula, chamada de "célula de suporte regenerativo do folículo capilar". Até então, acreditava-se que apenas dois tipos celulares principais eram responsáveis pelo crescimento do cabelo: as células-tronco epiteliais e as células da papila dérmica. A nova célula descoberta auxilia no desenvolvimento, crescimento e regeneração dos folículos capilares, aproximando os cientistas da possibilidade de produzir cabelo em laboratório.
Embora transplantes capilares já consigam fazer crescer novos fios, reproduzir folículos que se comportem como os naturais — passando repetidamente pelos ciclos de crescimento, queda e regeneração — tem sido um desafio. Claire Higgins, professora de engenharia de tecidos do Imperial College London, que não participou do estudo, afirmou que ninguém havia conseguido produzir folículos com ciclos completos de crescimento como esses. "Isso é um avanço muito importante", disse.
O estudo foi realizado apenas em camundongos, principalmente com células retiradas dos bigodes dos animais. Apesar do otimismo dos pesquisadores, transformar esses resultados em tratamentos aplicáveis a humanos ainda é um desafio, pois o crescimento do cabelo humano é mais complexo. "Acreditamos que agora estamos muito mais próximos do que antes", afirmou Tsuji.
A queda de cabelo afeta milhões de pessoas no mundo. Estudos indicam que cerca de um terço das mulheres terá algum grau de queda ao longo da vida. A condição pode ser causada por tratamento contra o câncer, alopecia ou envelhecimento. Para muitas mulheres, a perda dos fios tem um impacto emocional profundo, frequentemente subestimado.
Segundo a psiquiatra Sylvia Karasu, o cabelo molda a identidade e funciona como um marcador biológico, fisiológico e social das fases da vida. "Muitas vezes é uma forma de identificar gênero, raça e religião", afirmou. A pesquisadora médica Diane Trusson, da Universidade de Nottingham, no Reino Unido, destacou que a perda de cabelo somada ao diagnóstico de câncer representa "um golpe duplo", pois muda a forma como as pessoas olham para o paciente.
A pesquisa sobre queda capilar enfrentou dificuldades de financiamento e atenção, especialmente no que diz respeito às mulheres. Claire Higgins observou que grande parte dos estudos se concentrou na calvície masculina, em parte porque homens recorrem com mais frequência a transplantes capilares, facilitando o acesso a amostras. Estudos genéticos recentes sugerem que a perda de cabelo em homens e mulheres pode ser causada por fatores diferentes, embora os mecanismos exatos ainda não sejam totalmente compreendidos.
Com informações de Folha — Equilíbrio e Saúde.