O cientista político Jairo Pimentel, professor do Laboratório de Opinião Pública da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (Fesp-SP), classificou como equivocada a decisão liminar do ministro Kassio Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que retirou do ar uma pesquisa do Instituto AtlasIntel. O levantamento apontava queda nas intenções de voto do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que questionou judicialmente o estudo.
Em entrevista ao programa BdF Entrevista, da Rádio Brasil de Fato, Pimentel afirmou que, do ponto de vista técnico e metodológico, o desenho da pesquisa é coerente, e que é improvável que o resultado tenha sido artificialmente afetado pela exibição de um áudio, como alegou o senador. Segundo o especialista, o áudio era reproduzido apenas ao final do questionário, sem influenciar as respostas anteriores. “Acredito que a decisão de retirada foi equivocada e fere, de fato, a liberdade de expressão”, declarou.
A AtlasIntel também se manifestou, afirmando que o áudio é reproduzido após a conclusão do questionário e não impacta os cenários eleitorais. A empresa explicou que o objetivo é captar a percepção do eleitorado sobre o conteúdo, com segmentação demográfica.
Pimentel destacou que pesquisas com essa metodologia existem desde a década de 1930, nos Estados Unidos, e diferem de enquetes por selecionar os respondentes de forma técnica, reduzindo vieses. “Na pesquisa metodológica, o grande diferencial é que a pessoa não escolhe responder, ela é escolhida para responder”, explicou. Ele ressaltou que, embora o objetivo das pesquisas não seja preditivo, elas costumam ser bem-sucedidas em indicar os resultados eleitorais.
O professor também lembrou que as pesquisas têm margem de erro e limitações, por isso recomenda analisar o conjunto de levantamentos para entender tendências reais. No caso de Flávio Bolsonaro, a queda apontada pela AtlasIntel também foi registrada por outros institutos, como Datafolha e Quaest.
O BdF Entrevista é exibido de segunda a sexta-feira, às 16h, na Rádio Brasil de Fato (98.9 FM na Grande São Paulo).
Com informações de Brasil de Fato — leia a matéria original.