A seleção chinesa de futebol não conseguiu vaga na Copa do Mundo de 2026, mesmo com a ampliação do torneio para 48 equipes. Vinte e quatro anos após sua única participação, o país ainda não se tornou potência esportiva. No entanto, analistas apontam que a China exerce influência estrutural no futebol mundial por meio de investimentos, infraestrutura e tecnologia.

De acordo com o pesquisador Emanuel Leite Junior, associado à Tongji University (China), a presença chinesa na Copa de 2026 será abrangente. Empresas como Hisense, Vivo e Lenovo estão entre os patrocinadores. Além disso, soluções tecnológicas chinesas integrarão sistemas computacionais, processamento de dados e inteligência artificial usados pela FIFA na gestão da competição.

O pesquisador traça uma evolução: em 2018, a China patrocinou o evento; em 2022, patrocinou e participou da construção de estádios e infraestrutura no Catar; em 2026, patrocina e fornece a infraestrutura tecnológica do torneio. A cidade de Yiwu, conhecida como capital mundial de mercadorias da Copa, continua produzindo bandeiras, camisetas e outros itens para torcedores globais.

Leite Junior argumenta que a influência chinesa vai além do soft power. Para ele, o país se inseriu nas cadeias produtivas, no financiamento e na logística que sustentam o futebol global. A relação com a FIFA se intensificou após os escândalos de corrupção de 2015, quando patrocinadores tradicionais se afastaram e empresas chinesas ocuparam o espaço.

O governo chinês lançou em 2016 o Plano de Desenvolvimento do Futebol a Médio e Longo Prazo (2016-2050), com metas como sediar uma Copa. Desde então, os investimentos em clubes, patrocínios e infraestrutura cresceram. Para o pesquisador, a China já é um ator central na economia política do futebol, independentemente dos resultados em campo.

Com informações de Revista Fórum.