A porta-voz do Gabinete de Assuntos de Taiwan do Conselho de Estado –braço do governo chinês que lida com assuntos relacionados a Taiwan– , Zhang Han, disse nesta 4ª feira (24.jun.2026) que o governo de Taiwan é “cúmplice” de ações infratoras do Japão e das Filipinas que prejudicam o interesse nacional chinês. Segundo Han, as lideranças taiwanesas não tratam com seriedade a decisão unilateral dos países vizinhos de negociar zonas exclusivas de comércio que podem infringir territórios chineses.

A declaração de Han é uma resposta a uma fala do líder taiwanês, Lai Ching-te (Partido Democrático Progressista), que comentou na semana passada sobre as negociações entre Japão e Filipinas. Para ele, as conversas entre os 2 países não resultará em prejuízos para a ilha. O líder declarou que a China não tem direito sobre as águas que estão em disputa.

“As autoridades do DPP [Partido Democrático Progressista] têm ignorado e se fingido de surdas às ações infratoras do Japão e das Filipinas; em vez disso, aproveitaram a oportunidade para disseminar vigorosamente falácias separatistas sobre a ‘independência de Taiwan’”, disse Han.

Essa disputa sobre o oceano Pacífico que agora se soma à lista de tensões entre China e Taiwan começou no final de maio, quando Japão e Filipinas anunciaram que estavam abrindo negociações para delimitação de fronteiras marítimas.

Japão e Filipinas não fazem fronteira. No entanto, como são países cercados pelo mar, têm o direito de projetar uma zona econômica exclusiva que se estende por 200 milhas náuticas (370 km ou 230 milhas) de suas costas.

Se essas zonas forem medidas a partir das ilhas de Yaeyama, cerca de 400 km a sudoeste da ilha de Okinawa, e da ilha Mavulis, território mais ao norte das Filipinas, as áreas exclusivas dos países se sobrepõem no oeste do Pacífico.

Acontece que as zonas econômicas exclusivas não se esbarram apenas entre si, mas também em Taiwan, que fica entre o Japão e as Filipinas. É aí que entra a China, que considera Taiwan parte integral de seu território e, portanto, saiu em defesa de sua área de influência que está na mesa de negociações entre Japão e Filipinas.

Já Taiwan recusa a “ajuda” chinesa e tenta afastar Pequim do que considera sua zona de influência. Lai Ching-te declarou que a China não é um país cercado pelo oceano e que por isso não tem direito de projetar uma zona econômica exclusiva.

A China ignora essa resistência de Taiwan e já intensificou sua presença nas águas a leste da ilha. Desde o início de junho, Pequim tem enviado embarcações militares e de pesquisa para a região, a fim de demonstrar que possui o controle efetivo das águas.

“A atuação dos departamentos competentes no continente, que realizam patrulhas de fiscalização nessas águas em conformidade com a lei, é totalmente justificada e necessária, constituindo uma ação justa para salvaguardar a soberania nacional e os direitos e interesses marítimos”, disse a porta-voz a respeito das recentes operações navais.