Quarenta anos após o maior acidente nuclear da história, a Zona de Exclusão de Chernobyl, no norte da Ucrânia, tornou-se um refúgio para a vida selvagem. Um estudo conduzido pela ecologista ucraniana Svitlana Kudrenko, pesquisadora da Universidade Albert Ludwigs, em Freiburg, na Alemanha, documentou a recolonização da área por diversas espécies de mamíferos.
A equipe de Kudrenko instalou armadilhas fotográficas em áreas de preservação no norte da Ucrânia para avaliar o impacto da interferência humana na ocupação animal. Após analisar mais de 30 mil fotos, sendo 19 mil delas em Chernobyl, os cientistas constataram que a zona de exclusão abriga uma fauna abundante, incluindo veados, raposas, lobos, cavalos selvagens, alces, javalis, linces e ursos-pardos. Os cavalos-de-przewalski foram vistos exclusivamente na região durante a coleta de dados.
Segundo o estudo, a maior pujança zoológica nos arredores da antiga usina nuclear se deve à ausência de humanos e de suas atividades habituais, bem como à maior disponibilidade de alimentos. “Poder ver tantos animais ali foi emocionante”, disse Kudrenko.
Radiação e mutações
Apesar do florescimento da fauna, persistem dúvidas sobre possíveis mutações genéticas causadas pela radiação. Desde o acidente, cientistas relataram casos de árvores com crescimento incomum, sapos que mudaram de cor e fungos que se alimentavam de elementos radioativos. No entanto, a maioria dos estudos focou em animais pequenos, como roedores e anfíbios. “Estudos apropriados sobre os efeitos da radiação em grandes mamíferos requerem financiamento e logísticas mais amplos”, afirmou Kudrenko.
A Zona de Exclusão de Chernobyl, com cerca de 2.600 quilômetros quadrados, foi o ambiente onde as câmeras mais captaram mamíferos em abundância, em comparação com outras áreas analisadas. Para Kudrenko, o local é “um exemplo imenso de resiliência” e “uma lição de que a natureza encontra caminhos mesmo nos terrenos mais difíceis e contaminados”.
Com informações de Veja.