O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, rejeitou neste sábado (6) as declarações do presidente libanês, Joseph Aoun, que afirmou que o Líbano é usado como moeda de troca por Teerã em negociações com os Estados Unidos. "Se o Líbano fosse uma moeda de troca, já teríamos um acordo há muito tempo", publicou Araghchi na rede social X.
O chanceler iraniano acrescentou, em tom crítico: "Com base nos comentários do Sr. Aoun, alguém pensaria que é o Irã que ocupou 1/5 do Líbano, deslocou 1/4 dos libaneses e bombardeia seu país diariamente". Ele concluiu a mensagem com um apelo direto: "Salve o Líbano do seu verdadeiro inimigo, Sr. Presidente".
Entrevista de Aoun gerou a reação
A manifestação de Araghchi ocorre em resposta às críticas feitas por Joseph Aoun em entrevista exclusiva à CNN na sexta-feira (5). Na ocasião, o presidente libanês acusou o Irã de explorar sua nação como moeda de troca na guerra contra os Estados Unidos e Israel. Aoun exigiu que o regime iraniano cesse a interferência nos assuntos libaneses e afirmou que o povo está "farto" da guerra entre Israel e o Hezbollah.
Dirigindo-se ao Irã, Aoun declarou: "Vocês não estão tentando nos ajudar… o povo do Líbano está pagando o preço… em nome de seus próprios interesses". Ele também criticou a Guarda Revolucionária Islâmica, força militar iraniana, dizendo: "Este não é o seu país, é o nosso país".
Contexto regional e tensões recentes
Na madrugada deste sábado, os Estados Unidos afirmaram ter interceptado mísseis balísticos e drones lançados pelo Irã em direção ao Kuwait e ao Bahrein. Teerã alega ter atingido bases nos dois países, mas Washington nega. "Não há relatos de danos a militares americanos até o momento, e as alegações iranianas de danos ao quartel-general da Quinta Frota dos EUA no Bahrein são falsas", informou o Comando Central dos EUA.
O atual conflito remonta a 28 de fevereiro, quando o então presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou um ataque "de grande escala" ao Irã, com o objetivo de eliminar ameaças do regime iraniano, incluindo seu programa nuclear. Os ataques conjuntos de EUA e Israel resultaram na morte do então líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, e causaram milhares de mortos, além de danos a museus e sítios históricos, segundo autoridades iranianas.
Em retaliação, o Irã lançou ataques em todo o Oriente Médio e fechou o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial. Semanas antes da guerra, o governo Trump realizou o maior acúmulo militar na região desde a invasão do Iraque em 2003. Enviados dos EUA mantinham conversas sobre um possível novo acordo nuclear, mas as negociações fracassaram, com Trump acusando o Irã de rejeitar "todas as oportunidades de renunciar às suas ambições nucleares".
Com informações de CNN Brasil.