A Comissão Europeia para Investigação Nuclear (CERN) anunciou, no final de maio de 2026, a inclusão do Futuro Colisor Circular (FCC) em sua Estratégia Europeia para Física de Partículas. O documento, atualizado pela primeira vez desde 2020, define as prioridades para a área e transforma o FCC de uma ideia em um plano concreto.

O FCC será o maior acelerador de partículas já construído, com 91 quilômetros de extensão — três vezes o tamanho do atual Grande Colisor de Hádrons (LHC), que tem 27 km. O custo estimado é de 15 bilhões de francos suíços (cerca de 95 bilhões de reais).

Processo de decisão

A atualização da estratégia começou em março de 2024. Nos dois anos seguintes, o comitê do CERN consultou especialistas e analisou mais de 260 submissões escritas. “É uma decisão monumental”, afirmou Costas Fountas, presidente do Conselho do CERN, à revista Science. “A comunidade escolheu o FCC como a solução preferida para o próximo grande projeto no CERN.”

O plano prevê que o novo acelerador comece a operar na década de 2040, após o encerramento das atividades do LHC em 2041.

Duas etapas

O FCC será composto por duas máquinas construídas sequencialmente. A primeira, chamada FCC-ee, colidirá elétrons contra pósitrons com energia de até 0,365 tera-elétron volts (TeV) — valor inferior aos 13,6 TeV do LHC, mas com colisões mais limpas, permitindo estudos detalhados do bóson de Higgs. Metade do custo de construção do FCC-ee será destinada à abertura de um túnel circular subterrâneo. Essa etapa deve funcionar entre 2045 e 2070.

Após esse período, o FCC-ee será removido para dar lugar ao FCC-hh, um colisor de prótons que atingirá 100 TeV — sete vezes a energia do LHC. A estratégia em duas fases é semelhante à adotada anteriormente: o túnel de 27 km do LHC foi originalmente construído para o Grande Colisor Elétron-Pósitron (LEP), que operou até os anos 2000.

Com informações de Super Interessante.