Em meio à indefinição do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), sobre a tramitação da PEC que extingue a escala 6x1, parlamentares do Centrão e da oposição bolsonarista articulam a inclusão de dispositivos que favorecem o empresariado no texto final. O movimento ganha forma com uma PEC alternativa protocolada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN) e assinada por outros 40 senadores, que permite a contratação por horas trabalhadas.
De acordo com apuração da Agência Pública, o grupo busca uma mini-reforma trabalhista, nos moldes das mudanças promovidas durante o governo Michel Temer (MDB). O senador Vanderlan Cardoso (PSD-GO), vice-presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e empresário do ramo alimentício, defende que empregador e trabalhador tenham alternativas ao regime CLT. “Acho que sou um dos poucos parlamentares que já teve empresa fora, onde havia o trabalho por hora, então o trabalhador podia escolher quantas horas quisesse trabalhar”, afirmou à reportagem.

Cardoso, que declarou patrimônio superior a R$ 26 milhões nas eleições de 2024, disse ter feito pesquisa interna com funcionários de sua empresa e constatou que 87% são favoráveis à escala 5x2 (oposta à 6x1). Ele tenta se descolar da PEC de Marinho, mas assinou a proposta. “Não sou favorável a tudo que está lá, mas assinamos para abrir a discussão”, justificou.
O presidente da CCJ, senador Otto Alencar (PSD-BA), aliado do governo Lula, afirmou que não pautará a PEC alternativa e disse não ter conversado com Alcolumbre sobre o tema. “Quando chegar aqui, eu vou indicar um relator para a PEC da Segurança e a PEC da 6x1… se chegar! Está tudo do mesmo jeito”, declarou. Alencar é favorável ao fim da escala 6x1, seja pela PEC aprovada na Câmara, seja pela PEC 148/2015, do senador Paulo Paim (PT-RS), já aprovada na CCJ e pronta para votação em plenário. Ele critica a proposta alternativa, que considera uma volta do “trabalho intermitente” da reforma de 2017.

A tramitação das PECs depende de decisão de Alcolumbre, que ainda não se manifestou sobre a inclusão na pauta do Senado. A oposição, no entanto, tenta avançar com o texto de Marinho, que cria regime de pagamento por hora trabalhada.

Com informações de Agência Pública — leia a matéria original.