O Ceará consolidou sua posição como líder nacional nas exportações de pescados, com embarques que somaram US$ 28,73 milhões nos primeiros quatro meses do ano, segundo dados do governo estadual. O desempenho reflete investimentos na cadeia produtiva e na infraestrutura logística, que têm ampliado a presença de produtos cearenses no mercado internacional.

Protagonismo do setor

A Compex Pescados, localizada em Fortaleza, é uma das principais exportadoras do estado, enviando cerca de 3,5 mil toneladas por ano para países da Ásia, Oceania e América do Norte. O empresário Paulo Gonçalves atribui o resultado ao trabalho conjunto da cadeia produtiva. “O desempenho do estado deve-se ao compromisso e profissionalismo dos pescadores e de todos que participam desse processo”, afirmou.

A localização geográfica do Ceará é apontada como diferencial competitivo. “As facilidades logísticas do Ceará contribuem muito para esse protagonismo, pois estamos muito bem servidos, com dois portos de cargas gerais e um aeroporto internacional”, destacou Gonçalves.

Apoio governamental

O governo estadual adotou medidas para sustentar o setor durante o tarifaço imposto pelos Estados Unidos. Por decreto do governador Elmano de Freitas, foram concedidos benefícios como redução de encargos do Fundo de Desenvolvimento Industrial (FDI), subvenção econômica, créditos de exportação e aquisição de produtos. A estimativa é de que cerca de 100 mil empregos tenham sido preservados.

“Essas medidas são resultado do diálogo”, afirmou o governador durante a assinatura do decreto, acompanhado por representantes da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec) e da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Ceará (Faec).

Expansão e novos mercados

O secretário-executivo do Agronegócio da Secretaria do Desenvolvimento Econômico, Sílvio Carlos, projeta crescimento. “O Ceará tem tradição na economia do mar e os números demonstram que ainda há muito espaço para crescer”, disse. Entre as expectativas está a abertura do mercado europeu, que mobiliza empresários. “Mesmo sem exportar para a Europa, somos o principal exportador do Brasil. Com as ações realizadas e o apoio do governador nas interlocuções com os ministérios, acreditamos nesse novo momento”, acrescentou.

Infraestrutura logística

O terminal de cargas frias da Fracht Log, no Complexo Industrial e Portuário do Pecém, recebeu investimento de R$ 120 milhões e opera com capacidade de armazenamento a até -25°C. Localizado a oito quilômetros do porto, o terminal atende exportadores de pescados como camarão, lagosta e sardinha, além de outros produtos congelados. Segundo o diretor Thiago Abreu, a estrutura solucionou um gargalo histórico e fortalece o Ceará como hub logístico no Nordeste.

Histórias da cadeia produtiva

Geralda Sousa, coordenadora do setor de recebimento de matéria-prima da Compex Pescados, é exemplo da transformação gerada pelo setor. Natural de Acaraú, ela se mudou para Fortaleza com a irmã Edna após a expansão da empresa. “É o nosso sustento e o de muitas pessoas. Nós mudamos de Acaraú para cá graças a essa oportunidade”, relatou.

Perspectivas

O Ceará responde por mais de 50% da produção nacional de camarão (carcinicultura) e investe em segmentos como bovinocultura, avicultura e fruticultura. “A economia do mar cresce continuamente no estado, principalmente com a exportação de lagosta, atum e peixes vermelhos. Isso fortalece toda a cadeia produtiva e demonstra o potencial do Ceará para seguir crescendo acima da média nacional”, concluiu Sílvio Carlos.

Com informações de Governo do Ceará.