A Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), em parceria com o Distrito Sanitário Especial Indígena do Ceará (Dsei-CE) e a Universidade Federal do Ceará (UFC), desenvolve o Projeto Interculturalidade e Farmácias Vivas no Sistema Único de Saúde Ceará. A iniciativa, financiada pelo Ministério da Saúde, teve início em 2024 e busca estruturar uma rede de produção de fitoterápicos em comunidades indígenas, unindo conhecimentos tradicionais à assistência farmacêutica do SUS.
Quatro territórios indígenas são contemplados: Tapeba (Caucaia), Tremembé (Barra do Mundaú, Itapipoca), Pitaguary (Maracanaú) e Tabajara e Kalabaça (Poranga). Neles, foram implantados hortos comunitários de plantas medicinais, cultivados por oito agentes indígenas de cultivo selecionados pelo projeto. Os agentes receberam capacitação técnica para acompanhar todas as etapas, do plantio ao beneficiamento primário, unindo saberes tradicionais a orientações agronômicas e farmacêuticas.

Dez espécies medicinais foram selecionadas: chambá, babosa, alecrim-pimenta, hortelã, açafroa, cidreira, capim-santo, confrei, malva-santa e malvarisco. As mudas foram produzidas e distribuídas pelo Horto Oficial de Plantas Medicinais do Estado. A partir delas, serão fabricados xaropes, pomadas, tinturas, sabonete líquido e sachês para tratar condições respiratórias, dermatológicas e psicossociais comuns na Atenção Primária à Saúde.
Segundo a farmacêutica Ana Georgina Oliveira Pontes, bolsista do projeto, a capacitação dos agentes para o beneficiamento primário — colheita, secagem e armazenamento — foi uma etapa importante concluída recentemente. “É um processo que exige cuidados específicos e que faz parte da estrutura da Farmácia Viva”, explicou.

Os fitoterápicos produzidos serão distribuídos pelo Horto Oficial do Estado, por meio dos sistemas de assistência farmacêutica do SUS, ao Dsei-CE, que os encaminhará às unidades de saúde indígena. Atualmente, o Ceará conta com 19 Unidades Básicas de Saúde Indígena (UBSI) em funcionamento e outras 17 em implantação.
Para a coordenadora do projeto, Aleksandra Barroso Gomes, a iniciativa amplia as possibilidades de cuidado do SUS ao reconhecer conhecimentos já presentes nos territórios indígenas. “Estamos construindo uma iniciativa que une rigor técnico, segurança sanitária e respeito às práticas culturais dessas comunidades”, destacou.

O assessor técnico indígena Edivan Veríssimo Rosa, da Terra Indígena Tremembé da Barra do Mundaú, afirmou que as plantas utilizadas já são conhecidas e usadas pelos povos indígenas há gerações. “O projeto contribui para que essas práticas sejam reconhecidas, valorizadas e incorporadas de forma respeitosa às políticas públicas de saúde”, disse. Ele ressaltou que as comunidades participam de todas as etapas, desde o cultivo até o acesso aos fitoterápicos, fortalecendo o vínculo com a cultura e os modos tradicionais de cuidar.
Com informações de Governo do Ceará — leia a matéria original.