A fase mais recente da Operação Compliance Zero, que investiga o Banco Master, alterou as estratégias eleitorais em torno do escândalo. Até então, o caso era considerado mais incômodo para a direita, devido às relações entre o banqueiro Daniel Vorcaro e figuras bolsonaristas. Agora, a ofensiva contra o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado, leva o desgaste para o entorno do Palácio do Planalto.

Wagner tornou-se o primeiro aliado do núcleo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a ser alvo de buscas da Polícia Federal. A investigação suspeita que vantagens econômicas tenham sido destinadas ao senador por meio de empresas ligadas à sua família e da compra de um apartamento em Salvador. Wagner nega irregularidades.

Reações no PT

No Partido dos Trabalhadores, a orientação é evitar que as suspeitas atinjam Lula. Uma ala petista defende que Wagner deixe a liderança do governo no Senado para reduzir o custo político da crise. O senador, porém, não dá sinais de que pretende se afastar. Lula, amigo de Wagner há décadas, ainda não se manifestou publicamente sobre o caso.

Estratégia do PL

O Partido Liberal tenta explorar a chegada da investigação ao entorno de Lula, mas enfrenta o desafio de separar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de Daniel Vorcaro. Flávio chamou o banqueiro de “irmão”, visitou-o durante prisão domiciliar e teria recebido 134 milhões de reais para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro. A proximidade entre os dois provocou queda nas pesquisas de intenção de voto de Flávio.

Nos bastidores da campanha de Flávio, aliados avaliam que o caso deve ser explorado de forma pontual, sem se tornar o eixo da disputa. A avaliação é que insistir no escândalo pode reacender questionamentos sobre a própria relação do senador com Vorcaro.

Relações de Vorcaro com outros políticos

A amplitude das conexões de Vorcaro faz com que o escândalo atinja diferentes polos de poder em Brasília. A investigação já havia alcançado o senador Ciro Nogueira (PP-PI), ex-ministro da Casa Civil de Jair Bolsonaro. Conversas apreendidas pela Polícia Federal mostram proximidade, incluindo viagens internacionais e troca frequente de mensagens.

Também surgiram referências ao ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), que mantinha contato constante com Vorcaro e participou de eventos promovidos pelo banqueiro. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), procurou Vorcaro para liberar um crédito de 22 milhões de reais para sua cunhada e viajou a Lisboa, em Portugal, às custas do banqueiro. Motta nega irregularidades.

Cenário eleitoral

O resultado é que nenhum dos campos consegue usar o caso Master como munição limpa contra o adversário. O PT tenta sustentar que a relação entre Flávio e Vorcaro é mais profunda e atinge o próprio candidato à Presidência. O PL, por sua vez, aposta que a chegada da investigação ao entorno de Lula enfraquece o discurso petista contra a chamada ‘Bolsomaster’.