A nova fase das investigações da Polícia Federal sobre o caso Master, que inclui entre os alvos o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo de Luiz Inácio Lula da Silva no Senado, repercutiu na imprensa internacional. Na quinta-feira (18 de junho), endereços ligados ao senador foram alvos de busca. Wagner é apontado pela PF como "suposto beneficiário central das vantagens econômicas investigadas, figurando como agente público em favor de quem teriam sido estruturados pagamentos, benefícios e aquisições patrimoniais".
A Polícia Federal investiga se o senador teria recebido pagamentos e benefícios em troca de apoio a medidas no Congresso que beneficiariam o Banco Master, como a chamada "Emenda Master". Há suspeitas em torno da compra de um apartamento de luxo em Salvador e um pagamento de R$ 3,5 milhões. Wagner nega irregularidades. Os agentes apreenderam cerca de US$ 55 mil e € 33,5 mil na operação. Uma fonte que acompanha as investigações afirmou à BBC News Brasil, em caráter reservado, que o dinheiro foi encontrado em dois endereços ligados a Wagner. O senador confirmou que o dinheiro apreendido é seu, mas negou irregularidades. Ele não foi indiciado.

Repercussão internacional
O site da Al Jazeera, rede baseada no Catar com grande influência no mundo árabe, afirmou que o escândalo do Master "atingiu ambos os lados do espectro político brasileiro — e pode até mesmo influenciar a próxima corrida presidencial do país, em outubro". O veículo lembrou que, no mês passado, o portal The Intercept Brasil divulgou áudios nos quais o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pedia dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro, do Master, para produção de um filme biográfico sobre Jair Bolsonaro. "Os mandados de quinta-feira marcaram a mais recente de uma série de operações destinadas a revelar a extensão dos crimes financeiros de Vorcaro e como eles podem ter alimentado a corrupção governamental", disse a Al Jazeera.
O jornal argentino Clarín destacou a presença de um aliado de Lula na nova etapa da investigação. "A inclusão do importante senador na investigação do Banco Master aproxima este escândalo do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que busca a reeleição para um quarto mandato não consecutivo em outubro", publicou. O periódico recordou que o caso começou com a liquidação por insolvência do Banco Master em novembro, que devia mais de US$ 7 bilhões a cerca de 800 mil investidores, cujas dívidas foram quitadas pelo fundo de garantia. "Logo se transformou em uma investigação que apontou ligações suspeitas entre seu proprietário, o banqueiro Daniel Vorcaro, e figuras do poder público brasileiro de todo o espectro político." O Clarín disse que, após as revelações sobre o áudio de Flávio Bolsonaro a Vorcaro, o senador do PL "caiu nas pesquisas e agora está vários pontos atrás de Lula nas intenções de voto para o segundo turno". E acrescentou: "Lula, que admitiu ter se encontrado com Vorcaro em 2024, prometeu que o caso seria investigado 'até as últimas consequências'".

A agência de notícias financeiras Bloomberg afirmou que a investigação sobre o Banco Master e Vorcaro "atingiu políticos de todo o espectro político, abalando a campanha eleitoral brasileira a quatro meses da votação". Segundo a Bloomberg, "após a divulgação de reportagens envolvendo Wagner, a campanha de Lula instruiu aliados e membros do gabinete a defenderem publicamente o senador, conforme uma pessoa com conhecimento do assunto". A agência acrescentou que "a campanha reconheceu, no entanto, que seus esforços para atribuir a culpa pelo escândalo do Banco Master a Bolsonaro e seus aliados haviam se tornado mais difíceis, de acordo com outra pessoa familiarizada com o assunto".
A agência de notícias Reuters destacou que o escândalo de corrupção "chegou perto do presidente do Brasil nesta quinta-feira, com uma operação da Polícia Federal que teve como alvo seu principal aliado no Congresso, intensificando o foco na corrupção política às vésperas das eleições de outubro". Para a Reuters, "as supostas ligações com Wagner trazem o escândalo do Banco Master para o círculo íntimo do presidente pela primeira vez". O veículo lembrou que "seus laços estreitos com Lula remontam a décadas, incluindo cargos no gabinete do presidente. Como governador da Bahia, ele ajudou a transformar o Estado nordestino em um reduto de apoio ao governista Partido dos Trabalhadores". A Reuters afirmou que as notícias de quinta-feira reforçaram "a percepção de que a investigação sobre o Banco Master influenciará a corrida presidencial de 2026". No mês passado, o escândalo já havia abalado a campanha do senador Flávio Bolsonaro, apontado pelas pesquisas como principal rival na tentativa de reeleição de Lula, depois que ele confirmou ter obtido financiamento de Vorcaro para um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
