No próximo domingo (14), os jardins da Casa Branca serão palco de uma edição especial do UFC, o UFC Freedom 250, que integra as comemorações dos 250 anos da independência dos Estados Unidos e coincide com o aniversário de 80 anos do presidente Donald Trump. Uma arena foi montada no gramado sul da residência oficial para receber sete lutas.

A realização do evento cumpre uma promessa feita por Trump em agosto de 2025, durante um comício em Des Moines, no Iowa. Na ocasião, ele anunciou a intenção de transformar os jardins da Casa Branca em palco para o UFC, o que agora se concretiza.

Contexto de crise

O evento ocorre em um cenário adverso para o governo Trump. Os Estados Unidos seguem envolvidos em guerra contra o Irã, a inflação voltou a superar 4%, a aprovação presidencial caiu nas pesquisas e o conflito entre Rússia e Ucrânia permanece sem solução, apesar das promessas de campanha do presidente.

Além do UFC, Trump tem se dedicado a outros projetos paralelos: anunciou um grande comício em Washington, planeja uma corrida da IndyCar nas ruas da capital e coordena obras de infraestrutura na região da Casa Branca, incluindo a construção de um novo salão de eventos, um complexo subterrâneo militar e um grande arco próximo ao Cemitério Nacional de Arlington.

Críticas e conflitos de interesse

Historiadores e analistas políticos apontam que presidentes anteriores também promoveram obras e eventos comemorativos, mas o professor de História da Universidade de Princeton Julian Zelizer destacou diferenças significativas: “Além da dimensão física e simbólica que isso ocupa em sua presidência, acontece num momento em que o país está no meio de uma guerra. Isso também levanta questões sobre conflitos de interesse”.

As críticas se intensificaram devido à estreita relação entre Trump e o presidente do UFC, Dana White, amigo de longa data do republicano. Trump possui participação financeira em uma empresa ligada ao grupo proprietário do UFC. A Casa Branca rejeita irregularidades, afirmando que os custos do evento são pagos pela própria organização e que não há uso extraordinário de recursos públicos. No entanto, documentos judiciais indicam que mais de sete órgãos federais participaram da coordenação.

Para Zelizer, a escolha do UFC como símbolo dos 250 anos dos Estados Unidos também é controversa: “O UFC não tem nada a ver com a história americana. Não se trata da Independência nem dos fundadores do país. Isso reflete preferências pessoais, amizades e interesses políticos”.

Uma pesquisa Reuters/Ipsos mostrou que apenas 16% dos americanos consideram apropriado realizar lutas de artes marciais mistas nos jardins da Casa Branca. Mesmo entre republicanos, o apoio não é majoritário.

Atração brasileira

O UFC Freedom 250 promete ser um dos maiores eventos da história da organização. Entre as lutas confirmadas, o brasileiro Alex “Poatan” Pereira disputará o cinturão interino dos pesos-pesados contra o francês Ciryl Gane. Pereira comentou: “Com certeza sei da importância. Sei que é um evento gigantesco, nunca participei de nada igual. Mas a minha preocupação é com a luta. Quero dar um grande show para os fãs”.