Os veículos elétricos de decolagem e pouso vertical (eVTOLs), conhecidos como carros voadores, estão prestes a sair da ficção científica para a realidade. Até dezembro, devem ser inauguradas as duas primeiras rotas comerciais do mundo operadas por esses aparelhos. Uma delas, da chinesa EHang, ligará Shenzhen a Hong Kong — 30 quilômetros percorridos em vinte minutos. A outra, da americana Joby, funcionará em Dubai. A expectativa é que os eVTOLs reduzam os custos das viagens aéreas urbanas, tornando-as mais acessíveis do que os helicópteros atuais.

No Brasil, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) criou dois grupos de trabalho com empresas, militares, universidades e órgãos públicos para acelerar a regulamentação do setor. A experiência paulistana com helicópteros — mais de 2.200 pousos e decolagens diários, a maior frota do mundo — serve de base para as novas regras. “Adotamos uma visão de startup para desbravar esse novo campo”, afirmou Roberto Honorato, diretor da Anac.

Modelo de negócio e infraestrutura

Diferentemente do imaginário popular, os carros voadores não serão veículos particulares para uso familiar. “Não viveremos como os Jetsons”, disse Rogério Prado, presidente da Pax, concessionária que opera os aeroportos de Campo de Marte (SP) e Jacarepaguá (RJ). A aposta inicial é no serviço de táxi aéreo. Em janeiro, a Pax firmou parceria com a italiana UrbanV, especializada em vertiportos — locais para pouso, decolagem e recarga dos eVTOLs — para adaptar seus aeroportos.

Dos cerca de 200 helipontos em São Paulo, menos da metade pode ser adaptada para os carros voadores. Os prédios aptos precisarão de ajustes como treinamento de brigadas de incêndio e novos protocolos de embarque. Para Bruno Limoeiro, presidente da VertiMob, os vertiportos representam um negócio imobiliário: “A localização importa”. O plano é instalá-los em áreas de fácil acesso, como coberturas de shopping centers.

Redução de custos e acordos comerciais

Atualmente, voar de helicóptero em São Paulo custa de 1.200 a 2.700 reais por pessoa. No primeiro ano de operação, os eVTOLs devem reduzir o valor em 30%, e com o amadurecimento do mercado o preço pode cair para cerca de 800 reais. “Isso tornará os voos acessíveis a quem viaja a trabalho”, afirmou João Welsh, presidente da Revo, empresa de táxi aéreo. Em janeiro, a Revo tornou-se a primeira cliente da Eve, subsidiária da Embraer, com acordo para compra de até cinquenta aparelhos por 250 milhões de dólares. A Revo também lançou um plano de assinatura anual de trinta viagens por 13.650 dólares (455 dólares por voo). Até a entrega dos eVTOLs, no fim de 2027, o serviço será feito por helicópteros. “As pessoas querem de fato voar”, disse Welsh.

Com informações de Veja.