A escritora Carla Madeira, autora do best-seller "Tudo É Rio", participou de uma mesa na Feira do Livro de São Paulo nesta sexta-feira e antecipou informações sobre seu próximo romance, ainda inédito. O livro, intitulado "Quando", tem lançamento previsto para agosto pela editora Record.
Madeira explicou que o título carrega ambiguidades propositais. "É um 'quando' sem pontuação, não é pergunta, não é resposta, é o tempo capturado ali. Pode ser o quando do passado, o quando do presente, o quando do futuro", afirmou. A trama acompanha uma mãe que denuncia o próprio filho adolescente, e a narrativa começa duas décadas depois, quando ela espera reencontrá-lo.
A autora disse que explora na obra as zonas nebulosas entre punição, vingança e restauração. "Vou ao longo do livro tentando entender o que veio antes dessa atitude radical dessa mãe, qual foi também o ato extremo desse rapaz", declarou. Ela também levantou questionamentos sobre a literatura feita por mulheres e os temas considerados femininos. "Vamos desistir dos nossos meninos de 17 anos?", indagou, e criticou o fato de a literatura feminina receber adjetivos que a masculina não tem.
Na mesma mesa, a escritora Mariana Carrara Salomão, defensora pública, apresentou seu novo romance "Cláudia Vera Feliz Natal", da editora Todavia. Ela o descreveu como seu livro mais bem-humorado, apesar de abordar temas pesados do Judiciário. "É meu livro mais de rir, mais engraçado. Tem os temas da Justiça, que são trágicos, então invariavelmente dá aquela emocionada. Mas foi muito divertido de fazer", disse.
Carrara Salomão optou por um narrador masculino pela primeira vez, evitando criar uma magistrada indecisa que pudesse reforçar estereótipos. "Eu não me sentiria confortável como me senti com esse homem que, na verdade, estava só mostrando vulnerabilidades que a gente acha muito interessante de ver", explicou.
O encontro, mediado pela jornalista Iara Biderman, da revista Quatro Cinco Um, também teve momentos de descontração. Carrara Salomão brincou que, se cada leitor de Madeira comprar um livro seu, ela poderia viver só de literatura. Madeira respondeu que gostaria de aprender com a colega a ganhar o Prêmio São Paulo de Literatura, do qual Carrara Salomão é bicampeã.
Com informações de Folha — Ilustrada.